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Colombianos
querem diálogo com guerrilha, diz pesquisa |
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| LOURIVAL
SANTANNA Enviado especial |
Terça-feira,
23 de maio de 2006
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BOGOTÁ Pesquisa do instituto
Datexco perguntou aos entrevistados o que o próximo presidente
deve fazer, com relação ao conflito armado. "Negociar
com a guerrilha" foi a resposta escolhida por 62,9%; "combatê-la",
por 33,3%. A mesma pesquisa, publicada no domingo pelo jornal El Tiempo,
com margem de erro de 2,83 pontos para mais ou para menos, indica que
o presidente Uribe deve se reeleger já no primeiro turno, com 54,7%
dos votos. De fevereiro para
cá, Uribe permaneceu estável na preferência eleitoral,
subindo 0,8 ponto porcentual. Já o principal candidato da esquerda,
Carlos Gaviria, do Pólo Democrático Alternativo, o partido
que absorveu os ex-guerrilheiros do M-19, revela-se o grande fenômeno
dessa eleição. De 3,5% em fevereiro, Gaviria saltou para
23,7%, ultrapassando o tradicional Partido Liberal, que poderia ser classificado
"de centro". Eterno candidato liberal,
o ex-ministro do Interior Horacio Serpa caiu de 20,1% para 10,0%. Ambos
são defensores de negociações de paz e críticos
do Plano Patriota, a política de Uribe que combina ofensiva militar
com uma lei de desmobilização dos grupos armados, sua reintegração
à sociedade, punição branda e reparações
materiais pelos danos causados. Militarmente acuadas,
as Farc enviaram recentemente sinais de que estariam dispostas a iniciar
um processo de diálogo. "Sempre estivemos abertos à
negociação", respondeu Uribe. O governo aceita até
criar uma zona desmilitarizada para realizar as conversações.
Embora não nos moldes do governo do ex-presidente Andrés
Pastrana, que criou, em 1999, um santuário de 42 mil quilômetros
quadrados no centro do país para a guerrilha, que o utilizou como
base para ataques, seqüestros e atividades do narcotráfico. Na nova zona desmilitarizada
não poderia entrar ninguém armado, nem do Exército
nem da guerrilha. Com a presença de observadores internacionais,
os líderes guerrilheiros poderiam vir negociar com representantes
do governo. Hoje, no entanto, um acordo de paz entre as Farc e seu arquiinimigo,
o presidente Uribe, parece algo impensável. "Obviamente (os
guerrilheiros das Farc) detestam Uribe, detestam o governo, mas são
pragmáticos e realistas, e creio que vão apostar numa negociação",
avalia o vice-presidente Francisco Santos, em entrevista publicada no
domingo por El Tiempo, do qual aliás sua família é
proprietária. "Com Uribe, não firmariam a paz. Iniciariam
um processo que ficaria avançado, mas deixariam o acordo para o
governo seguinte (a ser eleito em 2010)." A pesquisa do Datexco
mostra que a popularidade de Uribe, o primeiro presidente a se reeleger
na história da Colômbia, mantém-se inabalada, apesar
de escândalos de corrupção e de denúncias de
envolvimento com paramilitares e narcotraficantes, que atingiram o Departamento
Administrativo de Segurança (DAS), uma espécie de Polícia
Federal colombiana. Os escândalos
derrubaram o ex-diretor do DAS, Jorge Noguera, que se tornou cônsul
de Milão, mas há duas semanas teve de pedir demissão
do novo cargo, depois que a Procuradoria-Geral da República abriu
investigação sobre possível fraude na eleição
de Uribe em 2002 no Departamento de Magdalena, onde ele era chefe de campanha
do então candidato presidencial. De acordo com a pesquisa, 44,7% dos colombianos dizem que sua imagem de Uribe permanece igual depois dos escândalos; para 28,5%, ela piorou; e 24,4% afirmam que ela até melhorou. Ao mesmo tempo, 82,0% declaram que não mudaram seu voto depois desses escândalos. Nada parece grudar em Uribe, nem mesmo o renovado desejo de paz dos colombianos, e a razão parece simples: depois de um governo Pastrana (1998-2002) em que a ousadia da guerrilha ganhou dimensões inéditas, o atual governo conseguiu, com ações militares robustas e contínuas, reduzir sensivelmente os bloqueios de estradas e seqüestros. Viajar no país tornou-se mais seguro, e muitos fazendeiros e empresários puderam retornar a suas atividades em regiões antes dominadas pelas Farc. Em parte graças
a isso, a economia colombiana se recupera. Cresce a um ritmo anual de
5%, enquanto o desemprego caiu de cerca de 20%, há quatro anos,
para 13%. Copyright © O Estado de S. Paulo. Todos os direitos reservados |
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