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Nas
crises, Uribe é só um cidadão |
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| LOURIVAL
SANTANNA Enviado especial |
Sexta-feira,
26 de maio de 2006
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BOGOTÁ A divulgação
de pesquisas de opinião está proibida desde o fim de semana
passado, quando três sondagens distintas previram a eleição
de Uribe já no primeiro turno, com cerca de 55% a 61% dos votos,
seguido à distância pelo candidato de centro-esquerda Carlos
Gaviria, com 19% a 24%. Mas o Instituto Ipsos-Napoleón Franco continua
fazendo sondagens, para consumo interno. "A população
reage muito fortemente, está todo mundo à espera de uma
explicação", disse Franco ao Estado. "O incidente
pode afetar o desempenho de Uribe." Entretanto, ninguém
aposta em um prejuízo substancial para o presidente. Entre os colombianos
comuns, assim como nos editoriais dos jornais, não se cogitou de
culpá-lo. A visão geral é a de que se trata de um
efeito colateral da guerra total que o governo tem conduzido contra a
guerrilha e o narcotráfico, e que explica uma aprovação
popular na casa dos 70%. Qual o segredo de
Uribe? "O incidente
não prejudicará o presidente porque ele pratica muito bem
a arte de ser político, no sentido de que, quando ocorrem fatos
como esse, coloca-se à margem dos acontecimentos, como se fosse
um cidadão comum, que está cobrando uma atitude das autoridades",
analisa o coronel da reserva Carlos Velásquez, professor de ciência
política da Universidade La Sabana. "Ele assume o papel de
um cidadão num conselho comunitário, que se vira para o
ministro e pergunta: 'E aí, essa obra sai ou não sai?'" Foi exatamente o que
Uribe fez nesse caso. Suas primeiras declarações, quando
recebeu a notícia do incidente, foram: "Muito grave, muito
grave. Acabo de dizer ao ministro (da Defesa) que essa comissão
(de investigação) proceda rapidamente, que não vamos
ter um segundo Guaitarilla" - referência a um incidente de
2004, em que um sargento, um cabo e dez soldados do Exército mataram
sete policiais e quatro civis. A cena do crime foi remexida e corpos,
incinerados. As investigações foram inconclusivas. O Ministério
Público e a Justiça Militar acabaram absolvendo os envolvidos.
Uribe é tão
seguro de sua capacidade de se distanciar das falhas de seu governo que
se encarregou ele próprio de lembrar o caso. "O presidente
se mostrou tão surpreso quanto o resto dos cidadãos",
observa Franco. Depois de visitar,
na quarta-feira, o Departamento de Valle (oeste do país), onde
ocorreu o incidente, o presidente voltou a jogar gasolina no fogo: "Algumas
pessoas sérias me transmitiram hipóteses que me causaram
preocupação, que obviamente não posso revelar porque
tenho que contribuir com prudência para que as autoridades as estudem.
Assim que tomei conhecimento, peguei um telefone e liguei para o procurador-geral,
e o informei", disse Uribe, que chegou a cometer um ato falho: "Quanta
dor pelo assassinato... pela morte dos policiais." Os policiais, integrantes
de um grupo de elite especializado em combate ao narcotráfico,
trajavam coletes e gorros com a inscrição Dijin (Direção
de Polícia Judiciária). Segundo testemunhas, gritaram aos
militares que abriam fogo com fuzis: "Não atirem! Somos policiais!"
Aparentemente, alguns deles, incluindo o informante civil, foram alvejados
de perto, a tiros de pistola. "Mataram dois, os outros fugiram, e
foram atrás deles, claramente para arrematar", acusou ontem
o senador Luis Elmer Arenas, um ex-policial. As suspeitas de que os militares - que estão recolhidos - poderiam ter sido subornados aumentaram ontem, com a revelação de que, na área onde os policiais foram mortos, região de sítios ao sul de Cali, a Dijin quase capturou, há quatro meses, Diego Montoya, um capo do narcotráfico sujeito a extradição para os EUA, que oferecem US$ 5 milhões por sua captura. Copyright © O Estado de S. Paulo. Todos os direitos reservados |
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