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Relação
entre países da região é alterada |
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| LOURIVAL
SANTANNA Enviado especial |
Domingo,
6 de julho de 2008
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BOGOTÁ "Uribe vivia
sob críticas constantes de que carecia de uma política séria
de paz", recorda Ariel Ávila, coordenador do Observatório
do Conflito Armado. Hugo Chávez, da Venezuela, fustigava-o por
causa de sua ofensiva militar contra as Farc; Nicolas Sarkozy, da França,
tentava empurrá-lo a todo custo para concessões e negociações.
Segundo Ávila, agora Uribe já pode dizer: "Não
me encham mais. Vocês já têm Ingrid Betancourt e os
americanos. Deixem que eu dou um jeito aqui, porque é o meu país." Chávez já
vinha abandonando a retórica agressiva desde que começaram
a ser divulgados indícios comprometedores do computador de Raúl
Reyes, o número 2 das Farc, morto em março no ataque a seu
acampamento, no Equador. Mensagens trocadas entre guerrilheiros indicavam
que o presidente venezuelano havia concordado em doar US$ 300 milhões
às Farc. "Chávez ficou muito vulnerável perante
a comunidade internacional", avalia Alfredo Rangel, da Fundação
Segurança e Democracia. O presidente venezuelano,
que antes defendia a concessão do status de força beligerante
às Farc, passou a criticar a guerrilha, dizendo que já não
havia espaço para a luta armada no continente. E pediu que as Farc
soltassem incondicionalmente os seus (à época) 41 reféns
políticos e 720 reféns econômicos. Depois do resgate,
Chávez tornou-se ainda mais amigável em relação
a Uribe. Trocou os qualificativos <IP10,0,0>"mafioso",
"criminoso", "mentiroso"</IP>, "paramilitar"
e "dirigente do narcotráfico" por "irmão".
"Chávez
entendeu que as Farc não têm futuro nenhum", constata
Rangel. "O resgate vai ter um impacto positivo sobre os governos
da região que têm nutrido simpatia pelas Farc, como os de
Evo Morales (Bolívia), Rafael Correa (Equador) e Daniel Ortega
(Nicarágua)." Internamente, observa
Ávila, encerram-se as críticas sobre a eficiência
dos gastos militares, que consomem 6,5% do PIB colombiano (no Brasil,
é 0,4%). Além de eliminar o debate, existente até
então na Colômbia, entre libertação negociada
e resgate militar, o êxito da Operação Xeque também
reforça a posição de Uribe de não ceder à
exigência das Farc de desmilitarizar uma área de 800 km²
para iniciar o diálogo. "Pode-se propor que as negociações
se dêem em outro país, como o Brasil", diz o coronel
da reserva Carlos Velásquez, professor de ciência política
na Universidade de La Sabana. Segundo ele, a atuação do
Brasil em relação ao conflito colombiano é considerada
"prudente e bem administrada". Velásquez elogia
também o governo colombiano, por "não ter assumido
uma posição triunfalista" depois do resgate. Ele imagina
uma situação na qual Uribe exija que as Farc ponham todos
os reféns em liberdade, como condição para começar
a negociar. As Farc, em contrapartida, ofereceriam soltar uma parte deles.
"Se o governo deixar a porta aberta, poderá haver uma negociação",
diz Velásquez. Mas reitera que, antes disso, Alfonso Cano, líder
máximo das Farc, vai querer tirar o grupo guerrilheiro da atual
situação de debilidade, obtendo alguma vitória no
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