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Ingrid
defende chance de 3º mandato |
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| LOURIVAL
SANTANNA Enviado especial |
Sexta-feira,
4 de julho de 2008
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BOGOTÁ "Terceira reeleição?
Por que não?", perguntou Ingrid, durante entrevista coletiva
na embaixada da França em Bogotá. "Parece-me interessante.
Não quer dizer que eu vá votar em Uribe. Pode surgir um
candidato com mais sensibilidade social, para mim um tema essencial."
Ingrid, que viveu até 1989 na França, cujo parlamentarismo
permite aos presidentes reeleger-se indefinidamente, arrematou: "Gosto
da reeleição, de os países terem a possibilidade
de eleger um rumo e segui-lo por vários anos." Ingrid, que na véspera
havia dito que poderia "servir a Colômbia" como presidente,
ontem afirmou que não sabe se sairá candidata. "Estou
em dívida com minha menina, meu filho e minha mãe, a quem
impus decisões que os fizeram sofrer muito", declarou Ingrid,
de 46 anos. "Vamos decidir juntos sobre o que farei a partir de agora.
A presidência me parece tão distante! Estou tão feliz
com minha família que não quero falar desses temas." As declarações
de Ingrid - visivelmente agradecida a Uribe pelo risco que correu ao autorizar
o seu resgate e o de 11 policiais e militares colombianos e 3 americanos
a serviço do Departamento de Defesa - coincidiram com a rejeição,
na noite de quarta-feira, pela Corte Constitucional, da ação
na Justiça questionando a legalidade da reeleição
do presidente em 2006. O processo foi motivado pela confissão da
ex-senadora Yidis Medina de que votou numa comissão em favor da
introdução da reeleição em troca de cargos
públicos. A emenda venceu por 19 votos a 17. Uribe propôs
um plebiscito sobre a necessidade ou não de "repetir"
a eleição de 2006. "A primeira coisa
que devemos fazer é um chamado ao presidente Chávez e ao
presidente Correa para que nos ajudem a restabelecer vínculos de
amizade, de fraternidade, de confiança com o presidente Uribe",
disse Ingrid. "Essa é uma etapa essencial para que possamos
vislumbrar novas liberações unilaterais." Uribe vive embate
com os colegas dos países vizinhos desde que retirou de Chávez
o papel de mediador frente às Farc, em dezembro, e autorizou o
bombardeio de acampamento da guerrilha no Equador, em março, levando
à morte do número 2 do grupo, Raúl Reyes. Depois
de chamar Uribe de "serviçal do imperialismo americano",
de "congelar" as relações com a Colômbia
e de defender o status de "força beligerante" das Farc,
Chávez tem feito gestos na direção contrária.
No mês passado, ele disse que a luta armada das Farc "não
tem mais lugar na América Latina" e fez um apelo à
guerrilha para que libere todos os reféns, incondicionalmente.
E ontem chamou Uribe de "irmão" e o convidou a visitá-lo.
"Dissemos coisas duras um sobre o outro, mas irmãos são
assim mesmo", justificou. Ao falar de "liberações
unilaterais", Ingrid deu ainda um aval importante às ações
de resgate militar autorizadas por Uribe, criticadas por militantes de
direitos humanos e por familiares dos reféns, incluindo a mãe
da ex-senadora, Yolanda Pulecio. Os filhos de Ingrid,
Lorenzo (19 anos) e Melanie (22), chegaram às 8h da manhã
em Bogotá (10h em Brasília) num avião do governo
francês, acompanhados da irmã da ex-senadora, Astrid, de
seu ex-marido e pai dos dois jovens, Fabrice Delloye, e do chanceler da
França, Bernard Kouchner. Ingrid subiu as escadas do avião,
enquanto Melanie e Lorenzo encostavam os rostos nas janelas, esperando
a abertura da porta. Os três se abraçaram e beijaram, rindo
e chorando ao mesmo tempo. Ainda pela manhã,
Ingrid fez uma comovente visita ao túmulo de seu pai, Gabriel Betancourt,
que morreu de um ataque no coração um mês depois de
seu seqüestro, ocorrido em fevereiro de 2002. Na noite de quarta-feira,
em suas primeiras declarações depois do resgate, na Base
Aérea de Catam, em Bogotá, Ingrid havia confessado que se
sentia "culpada" pela morte do pai. Então em campanha
para presidente, ela insistiu em ir participar de um comício em
San Vicente del Caguán, 250 quilômetros ao sul de Bogotá,
apesar das advertências das forças de segurança de
que poderia ser seqüestrada pelas Farc. Ingrid embarcou ontem
à noite para a França, onde pretendia agradecer hoje ao
presidente François Sarkozy e ao "povo francês"
pela campanha em favor de sua libertação. Na semana que
vem, será recebida pelo papa Bento XVI. Copyright © O Estado de S. Paulo. Todos os direitos reservados |