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Comandante
do Exército expõe guerrilheiros como troféus |
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| LOURIVAL
SANTANNA Enviado especial |
Sexta-feira,
4 de julho de 2008
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BOGOTÁ Um militar aproximou
um microfone da boca de César, e depois de Gafas, enquanto os jornalistas
perguntavam se estavam arrependidos. César, com o olho direito
roxo e hematomas espalhados pelo rosto, permaneceu em silêncio.
Gafas também não respondeu nada. Em seu emocionado relato
da noite de quarta-feira, a ex-senadora Ingrid Betancourt disse que César
humilhava e maltratava os reféns. Os dois estão
em poder do Ministério Público. "Esses bandidos estão
descartados para a Lei de Justiça e Paz", rejeitou Montoya,
referindo-se ao programa de anistia e reinserção social
oferecido pelo governo colombiano a guerrilheiros e paramilitares que
depõem armas. Montoya defendeu a extradição deles
para os EUA - que já a solicitaram - por envolvimento com narcotráfico
e pelo seqüestro dos três americanos contratados pelo Departamento
de Defesa. Os rumores sobre uma negociação com os guerrilheiros
foram nutridos pela incredulidade diante da forma insólita com
que o serviço de inteligência do Exército diz ter
enganado os experimentados comandantes. "Foram os 22
minutos e 13 segundos mais longos da minha vida", declarou Montoya
sobre a operação de resgate, denominada Xeque (em referência
ao lance de ataque ao rei no xadrez). "Se tivesse falhado, eu teria
tido que renunciar", admitiu o ministro da Defesa, Juan Manuel Santos.
De acordo com o ministro e os comandantes militares, a operação
começou a tomar forma em maio do ano passado, quando o policial
Jhon Frank Pinchao fugiu do acampamento à beira do Rio Apaporis.
Pinchao forneceu valiosas e inéditas informações
sobre a localização, táticas e rotinas da guerrilha. Em fevereiro, pela
primeira vez os militares viram os três reféns americanos
e dois colombianos, na margem do Rio Inírida, mas evitaram uma
ação pelos riscos que envolvia. Segundo Montoya, agentes
da inteligência do Exército conseguiram se infiltrar no "Secretariado",
como é chamada a liderança das Farc. Foram ajudados pela
falta de comunicação entre os comandantes das Farc, que
evitam contatos com medo de serem rastreados pelo sistema de sensoriamento
usado pelos militares colombianos, com apoio dos americanos - sobretudo
depois do bombardeio ao acampamento do número 2 das Farc, Raúl
Reyes, morto em março. Os agentes teriam
convencido César de que uma organização não-governamental
internacional enviaria helicópteros para transportar os reféns,
primeiro para lhes prestar assistência, depois para levá-los
até o acampamento de Alfonso Cano, o novo comandante das Farc.
César concordou em reunir os 15 reféns, que estavam em acampamentos
distantes uns dos outros. Às 13h13 de quarta-feira, um dos dois helicópteros de fabricação russa do Exército, pintados de branco, pousou perto do acampamento, com dois pilotos e quatro militares vestidos com coletes da ONG fictícia. César e Gafas aceitaram embarcar junto com os reféns. Os agentes pediram que ambos entregassem suas pistolas, argumentando que aquela era uma "missão internacional". Depois de decolar,
deixando cerca de 60 guerrilheiros no solo, os militares renderam os dois
comandantes e disseram aos reféns a agora famosa frase: "Somos
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