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Raúl
alerta futuros dirigentes cubanos |
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| LOURIVAL
SANTANNA Enviado especial |
Sexta-feira,
2 de janeiro de 2009
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SANTIAGO DE CUBA "Que não
se deslumbrem com os cantos de sereia do inimigo, e que a militância
impeça que destruam o Partido", prosseguiu o presidente, que
também é general do Exército. "Se seus atos
não estiverem em consonância com essa conduta, lhes faltará
autoridade moral, que só surge das massas, e ficarão impotentes
diante dos perigos internos e externos." E acrescentou: "Estarão
os 'mambices' de hoje, que não se deixarão enganar ideologicamente,
e deixarão cair a espada", referindo-se aos combatentes da
independência da Espanha no fim do século 19. A celebração
foi tecnicamente impecável. O pronunciamento de Raúl foi
antecedido da exibição de um vídeo de 18 minutos
da história da Revolução e de discursos de uma menina,
um jovem estudante de filosofia e uma veterana da luta armada, intercalados
pela apresentação de três grupos de dança e
de música. Frustrando as expectativas dos cubanos, que esperavam,
com cartazes, a vinda de Hugo Chávez, o governo venezuelano foi
representado pelo chanceler Nicolás Maduro e sua mulher, a deputada
Cilia Flores. O presidente da Bolívia, Evo Morales, cuja presença
era dada como certa em Santiago, também não apareceu. Conhecida como "o
berço da Revolução", Santiago de Cuba tornou-se,
nessa passagem de ano, lugar de peregrinação de esquerdistas
do mundo inteiro, que vieram celebrar os 50 anos da derrubada do ditador
Fulgencio Batista pelos guerrilheiros comandados por Fidel Castro. A Praça
de Céspedes, no centro da cidade, foi ocupada por milhares de cubanos
e estrangeiros, que acompanharam o hasteamento da bandeira de Cuba à
meia-noite do dia 31, uma tradição iniciada em 1901 pelo
então prefeito Emilio Bacardi, que a colocou no lugar da bandeira
dos Estados Unidos, que ocupavam a ilha militarmente desde a independência
em relação à Espanha, em 1898. Grande ausente das
celebrações, Fidel, de 82 anos, afastado por uma doença
intestinal desde julho de 2006, assinou uma curta mensagem impressa no
alto da primeira página do Granma, o órgão oficial
do Comitê Central do PC: "Ao completar-se dentro de poucas
horas o 50º aniversário do Triunfo, felicito nosso povo heróico."
O Granma de ontem trouxe também mensagens de congratulações
dos presidentes da China, Hu Jintao, e da Rússia, Dmitri Medvedev,
dois países com os quais Cuba tem estreitado relações
políticas e econômicas. Na noite de 1º
de janeiro de 1959, Fidel, que comandara a revolução da
Sierra Maestra, que domina Santiago, anunciou a vitória dos revolucionários
da sacada da prefeitura da cidade, um prédio colonial em frente
à Praça Céspedes, depois da fuga inesperada de Batista
de Havana. "Viemos celebrar
50 anos de humanismo", disseram os argentinos Lisandro López,
um jornalista de 27 anos, e Freddy Sciarratta, designer gráfico,
de 40. Ambos de Rosario, a cidade natal de Ernesto Che Guevara, eles saíram
de moto no dia 29 de novembro, para lembrar a proeza do líder guerrilheiro,
que percorreu as Américas de moto nos anos 50, antes de se juntar
aos revolucionários cubanos. "Apoiamos o antiimperialismo,
a luta contra o bloqueio (americano contra Cuba), o orgulho e a audácia
dos cubanos e os seus valores, destruídos pelo capitalismo."
López e Sciarratta deixaram a moto em Quito, onde foram recebidos
pelo presidente equatoriano, Rafael Correa, e vieram para Cuba de avião,
com as passagens pagas pela embaixada da Venezuela no Equador. Os argentinos são
talvez os mais numerosos entre os estrangeiros em Santiago de Cuba. Um
jornalista argentino disse que três vôos charter vieram lotados
do país. Há muitas pessoas de meia-idade, os homens de barbas
brancas e as mulheres de roupas e sandálias ao estilo hippie, mas
também muitos jovens, aparentemente atraídos pela mística
de seu compatriota Che Guevara, que foi tema de três filmes nos
últimos anos. "Viemos conhecer
o que foi feito pela Revolução, como as pessoas daqui vivem",
explicaram Renato Araújo, de 29 anos, professor de geografia numa
escola privada, e Heloísa Escorel, psicóloga de 26 anos,
ambos de São Paulo. "Este é um momento muito histórico."
Para o casal, a viagem foi um "aprendizado". "Faltam muitas
coisas materiais, mas eles têm uma dignidade que falta no Brasil
às vezes", disse Araújo. "Aqui, todo mundo pode
estar em todos os lugares", observou Heloísa. "Em São
Paulo, até mesmo em hospitais e escolas, quem não tem dinheiro,
não entra." Para o israelense
Menachem Sagev, de 62 anos, Cuba lembra Israel em seus primórdios,
quando era um país de orientação socialista. "As
empresas estatais não são eficientes, mas, por outro lado,
vemos as pessoas felizes com o que elas têm, apesar das dificuldades",
disse Sagev, técnico em comunicações aposentado.
Cidade de arquitetura
colonial, 869 quilômetros a leste de Havana, terra natal dos irmãos
Castro, Santiago está repleta de cartazes revolucionários,
alguns impressos nas gráficas estatais, outros feitos à
mão e colados nas fachadas das casas. Muitos deles lembram o assalto
ao Quartel de La Moncada, em Santiago, em 26 de julho de 1953, considerado
o início da luta armada. "Seremos eternamente fiéis
a Fidel e a Raúl", diz um dos cartazes. Outros afirmam: "Defenderemos
a pátria até a morte"; "Revolução
Cubana, exemplo de humanidade para o mundo inteiro"; "Teremos
outros 50 anos de Revolução", e "Fidel segue comandando
a batalha de idéias". |