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Cuba anuncia
contenção de gastos |
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| LOURIVAL
SANTANNA Enviado especial |
Segunda-feira,
29 de dezembro de 2008
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HAVANA Em sua última
seção do ano, presidida por Raúl, o Parlamento aprovou
no sábado o aumento de cinco anos da idade mínima para a
aposentadoria, que passou de 60 para 65 anos entre os homens e de 55 para
60 entre as mulheres. A nova lei de seguridade social também exige
um mínimo de 30 anos de serviço. Raúl anunciou o
corte de 50% dos gastos com viagens oficiais para o exterior e o fim de
um abono de férias para dirigentes e funcionários que se
destacaram ao longo do ano, que custa US$ 60 milhões aos cofres
públicos. O presidente propôs
ainda a criação de um órgão controlador dos
gastos do governo, subordinado diretamente ao Conselho de Estado, instância
máxima do Executivo, por ele presidida. A medida deve ser aprovada
na próxima sessão do Parlamento, em meados do ano que vem.
Raúl, de 77 anos, conhecido por sua visão mais pragmática
da economia que o seu irmão Fidel - que lhe entregou o cargo formalmente
em fevereiro -, criticou a falta de controle dos gastos públicos,
a improdutividade e a ineficiência. "Em nossa gestão
econômica estatal ainda existe lentidão e ineficiência",
admitiu o ministro da Economia, José Luis Rodríguez. Numa
apresentação antes do discurso do presidente, Rodríguez
mostrou que, apesar do crescimento de 4,3% do PIB em 2008, as contas não
fecham. Segundo ele, 78% da arrecadação é destinada
aos gastos correntes do governo, 8% ao pagamento de dívidas e 14%
a investimentos. Para o ministro, é
necessário aumentar a eficiência e a produtividade "para
criar as riquezas necessárias antes de consumi-las". Só
assim, disse ele, será possível pôr fim à circulação
de duas moedas - o desvalorizado peso cubano, com o qual são pagos
os salários dos funcionários públicos e que só
é aceito nos armazéns estatais, e o CUC, a moeda forte,
que tem real poder de compra e circula nos serviços ligados ao
turismo. O CUC equivale a US$ 1,25 e a 25 pesos. Cuba é virtualmente
uma sociedade de pleno emprego, mantida artificialmente com os salários
mensais dos funcionários públicos, que em sua maioria não
atingem US$ 20. A taxa nominal de desemprego é de apenas 1,6%.
Mas 189 mil pessoas em idade produtiva não estudam nem trabalham,
assinalou Rodríguez, vivendo "parasitariamente" de benefícios
do Estado. Otimista, o orçamento
de 2009 prevê crescimento de 6% da economia - um cenário
muito diferente da maioria dos países. Mesmo assim, o déficit
público ficaria em 5,6%. "Será necessário propor
modificações na política tributária para aplicar
um sistema de impostos e contribuições adequado às
condições atuais da economia", declarou a ministra
das Finanças, Georgina Barreiro. COMEMORAÇÃO O ponto alto da celebração
dos 50 anos da Revolução será um discurso, na quinta-feira,
de Raúl na sacada da Prefeitura de Santiago de Cuba, no oeste da
ilha, de onde seu irmão Fidel anunciou a vitória dos rebeldes,
na noite de 1º de janeiro de 1959, depois da fuga do ditador Fulgencio
Batista. Fidel, de 82 anos, não aparece em público desde
julho de 2006, quando foi submetido a uma cirurgia no intestino. A celebração
deve contar com a presença do presidente da Venezuela, Hugo Chávez,
principal aliado do regime cubano. Chávez disse ontem em Caracas
que seu primeiro ato de 2009 "vai ser em homenagem à Revolução
Cubana", sem entrar em detalhes nem mencionar a viagem a Cuba. "Será
um tremendo ato", assegurou. "Havia um homem na vanguarda: Fidel
Castro", recordou Chávez. "Essa revolução
estava armada com fuzis, era uma revolução contra o imperialismo,
e se instalou um governo revolucionário que está em funções
há 50 anos." Outro aliado de Cuba, o presidente do Equador, Rafael Correa, declarou, em seu programa semanal de rádio e TV: "Um imenso abraço solidário a todo o povo cubano, que siga adiante com essa Cuba soberana, essa Cuba livre." Correa aproveitou para pedir o fim do embargo americano a Cuba, introduzido em outubro de 1960. Copyright © O Estado de S. Paulo. Todos os direitos reservados |