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Cuba terá
festa discreta no 50º aniversário da Revolução |
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| LOURIVAL
SANTANNA Enviado especial |
Quarta-feira,
31 de dezembro de 2008
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HAVANA O governo argentino
fez a Cuba uma doação de carne, que foi moída e distribuída
aos açougues. Como todos os outros produtos subsidiados nos armazéns
estatais, a venda da carne é marcada na caderneta da família.
Cada pessoa tem direito a meio quilo, que custa 5,25 pesos (US$ 0,26).
De acordo com os cubanos, há pelo menos duas décadas não
se via carne de vaca nos açougues estatais. Tradicionalmente, os
cubanos comem pernil na ceia de fim de ano. Mas aqueles que ainda não
tinham comprado sua cota de carne bovina faziam filas ontem nos açougues.
A durabilidade da
carne é ameaçada por outro fator. Segundo estimou o açougueiro,
em 60% dos açougues a câmara de refrigeração
não funciona. O governo não dá manutenção
nas câmaras. O açougueiro disse que ele mesmo consertou a
do açougue em que trabalha, da marca americana Fresco, anterior
à Revolução. Para poupá-la, ele a mantém
ligada apenas das 13h às 16h, quando o calor aperta, e durante
a noite. Nos supermercados estatais de moeda forte, 1 quilo de carne é
vendido a proibitivos 9,50 CUCs, ou US$ 11,87. Muito maior que a
dos açougues foi a fila que se formou em frente ao Consulado da
Espanha em Havana, depois da aprovação da Lei de Memória.
O Ministério das Relações Exteriores da Espanha estima
que 100 mil cubanos tenham direito à nacionalidade espanhola, por
essa nova lei. Cerca de 3 milhões de cubanos vivem no exterior,
e são a principal fonte de divisas do país. Com exceção
dessas pequenas alegrias, as celebrações são marcadas
pelo tom circunspecto do discurso do presidente Raúl Castro no
encerramento dos trabalhos do Parlamento, no sábado. Raúl,
que dirige o país desde julho de 2006 - quando seu irmão,
Fidel, ficou doente -, e que foi formalizado no cargo em fevereiro, anunciou
mais rigor no cumprimento das leis. "Deve ficar claro que não
haverá retrocessos no propósito de fortalecer a institucionalidade,
a disciplina e a ordem em todas as esferas do país", avisou
Raúl. Os cubanos comuns
interpretam a mensagem prevendo mais repressão à economia
informal, que irriga os orçamentos domésticos com CUCs,
a moeda forte, que equivale a US$ 1,25 e a 25 pesos. Só com CUCs
podem comprar os produtos que não encontram nos armazéns
estatais de moeda nacional, incluindo roupas, tênis, artigos de
higiene, a própria carne e outros alimentos de qualidade. Raúl
anunciou ainda a eliminação dos estímulos dados aos
trabalhadores em moeda forte - entre 10 e 20 CUCs (US$ 8 e US$ 16) que
alguns deles recebem, além dos salários, que giram entre
200 e 600 pesos (US$ 10 e US$ 30). Por causa dos prejuízos
causados pelo furacão, de US$ 10 bilhões, ou 20% do PIB
cubano, não haverá desfile militar nem festa para lembrar
o aniversário da Revolução. A data será lembrada
com um discurso de Raúl, no dia 1º, em Santiago de Cuba, no
leste da ilha, na sacada da prefeitura da cidade, de onde seu irmão
Fidel anunciou a vitória da Revolução, em 1959. Copyright © O Estado de S. Paulo. Todos os direitos reservados |