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Brasil
será tratado como qualquer outro, diz Palacio |
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LOURIVAL
SANTANNA |
Terça-feira,
26 de abril de 2005
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QUITO "Nossa relação
com o governo brasileiro será igual às relações
com todos os países do mundo. A república irmã do
Brasil deve ficar tranqüila", disse Palacio, respondendo a uma
pergunta do Estado. "Os investimentos se manterão e os novos
serão bem-vindos, desde que se ajustem às regras."
O Brasil é um tradicional investidor no Equador, tendo aplicado
US$ 1,5 bilhão no país na última década. Mas
esses investimentos se intensificaram desde que Gutiérrez e Lula
assumiram, em janeiro de 2003. Os críticos
acusam Gutiérrez, destituído na quarta-feira pelo Congresso,
em meio a uma onda de manifestações que deixou dois mortos
e dezenas de feridos, de ter privilegiado a Petrobrás ao permitir
que explorasse campos de petróleo no Parque Nacional Yasuní,
na Amazônia equatoriana, assim como as empreiteiras brasileiras
Odebrecht e Andrade Gutierrez, vencedoras de licitações
de grandes obras públicas no Equador. A Petrobrás
investiu nos últimos dois anos US$ 130 milhões e anunciou
outros US$ 150 milhões para os próximos três. A Odebrecht
executa atualmente duas obras no valor total de US$ 362 milhões,
dos quais US$ 293 milhões financiados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento
Econômico e Social (BNDES). A Andrade Gutiérrez também
participa de duas obras, com uma fatia de US$ 310 milhões. Palacio, um cardiologista
de 66 anos, viajou ao Brasil há cerca de dois anos, quando era
vice-presidente, para conhecer o Sistema Único de Saúde
e os programas de prevenção, colhendo idéias que
pretendia implementar no Equador. Mas Gutiérrez não o deixou
colocar em prática seus projetos, e esse foi um dos motivos da
ruptura entre os dois. "Respeitaremos
todos os tratados que já firmamos, mas, com relação
aos novos tratados a firmar, teremos uma visão um pouco mais soberana",
adiantou o novo presidente, em sua primeira entrevista coletiva, no Palácio
Carondolet. Com os Estados Unidos, onde cursou pós-graduação,
ele disse que manterá uma "relação fraterna,
de igual para igual", e que tem certeza de que os americanos entenderão. Palacio tratou de
suavizar as declarações do seu ministro da Economia, Rafael
Correa, um professor universitário de tendência esquerdista,
que assumiu anunciando mudança de ênfase na política
econômica, da preocupação com geração
de superávit primário e pagamento da dívida para
um aumento dos gastos sociais e investimentos, e ainda a valorização
dos investimentos do Estado em detrimento dos investimentos estrangeiros.
"O que o ministro
da Economia quer dizer é que, se há recursos suficientes,
vamos investir, o que não significa que não haverá
investimentos externos", assegurou o presidente. Os recursos para
investimentos do Estado serão retirados de um fundo do petróleo,
gerados com o excedente das exportações não previsto
no Orçamento. No governo Gutiérrez, esses recursos, da ordem
de US$ 400 milhões, iam para o serviço da dívida.
O novo presidente disse que pretende reduzir a dependência da receita
do petróleo. Segundo ele, sem contar essa receita, a economia equatoriana
cresceu menos de 1,7% no ano passado, e não 6,6%, que é
o dado oficial incluindo o petróleo, enquanto a população
aumentou 2,1%. Palacio disse também
que seu governo levará adiante as negociações do
Tratado de Livre Comércio envolvendo Colômbia, Peru e Equador,
de um lado, e os Estados Unidos, de outro. "Vamos defender nossos
interesses, mas não podemos enterrar a cabeça, como um avestruz."
O presidente, empossado
na quarta-feira pelo Congresso, que declarou "abandono de cargo"
enquanto Gutiérrez ainda estava em seu gabinete no palácio,
demonstrou também compreensão diante da dúvidas da
comunidade internacional quanto à legalidade de seu governo: "A
preocupação do mundo inteiro frente ao que aconteceu aqui
é lógica. Não é normal que termine o mandato
de um presidente antes do prazo." Ele prometeu facilitar os trabalhos
da delegação enviada pela Organização dos
Estados Americanos para averiguar as condições nas quais
se deu a troca de presidente no Equador. Palacio disse que
poderá ser convocada uma Assembléia Constituinte, mas antes
serão realizadas "mesas de diálogo" com a sociedade,
para levantar temas para uma consulta popular. Na pauta, poderá
estar a mudança do regime, de presidencialista para parlamentarista. Copyright © O Estado de S. Paulo. Todos os direitos reservados |
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