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Aventura
faz embaixador reviver a revolução do Irã |
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LOURIVAL
SANTANNA |
Segunda-feira,
25 de abril de 2005
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QUITO Visivelmente satisfeito
e aliviado com o sucesso da operação, Florencio, um homem
calmo e agradável, reconhece que não se sentiu muito confortável
sob o uniforme do Grupo de Operações Especiais da polícia
equatoriana. "Mas senti que estava cumprindo uma missão."
O embaixador passou por maus bocados nesses três dias e meio de
asilo a Gutiérrez. O pior momento foi
na sexta-feira à noite, quando ele foi chamado pela chancelaria
mas acabou impedido de sair da residência pelos manifestantes, que
golpearam o jipe Honda, tentando abrir as portas ou virar o veículo,
que teve de dar marcha à ré e entrar de novo na residência.
O incidente suscitou um telefonema do secretário-geral das Relações
Exteriores, Samuel Pinheiro Guimarães, ao vice-chanceler equatoriano,
Edwin Johnson, no qual o número 2 do Itamaraty exigiu que a segurança
do embaixador fosse garantida. Na noite da véspera,
o ministro conselheiro da embaixada, José Fiúza, havia levado
um murro na cabeça quando saía a pé da casa. Na fachada
da bela residência diplomática, uma construção
colonial dos anos 40, na qual João Cabral de Mello Neto escreveu
algumas de suas poesias, quando era embaixador em Quito, nos anos 70,
ainda se viam ontem de manhã as marcas de tomates e ovos jogados
pelos manifestantes, que chegaram também a lançar uma garrafa.
Florencio recebeu telefonemas anônimos com ameaças e estuda
pedir proteção policial por algum tempo. "Acho que
vai ser necessário", opina Sônia, a embaixatriz. Os manifestantes acusam
o Brasil de contribuir para a impunidade de mais um presidente equatoriano
- o terceiro que foge do país em meio a protestos desde 1997. Entre
a concessão do asilo diplomático pelo Brasil, na tarde de
quarta-feira, e a entrega do salvo-conduto pela chancelaria equatoriana,
na manhã de sábado, Florencio e Gutiérrez viveram
uma tensa espera. A entrega do documento,
assinado pelo novo presidente Alfredo Palacio, foi cercada de sigilo.
Durante todo o sábado, a embaixada não confirmou as informações
extra-oficiais de que o salvo-conduto tinha saído. Nem mesmo à
cozinheira equatoriana Digna, que queria fazer feijoada de almoço,
o embaixador pôde contar por que um prato tão pesado não
seria conveniente naqueles momentos de preparativos da fuga. Doña
Digna foi convencida a servir ceviche, uma iguaria andina de pescado cru
com molho de limão. Gutiérrez fazia
as refeições com Florencio e Sônia numa mesa branca
da sala-de-jantar. Como militar, procurava não transparecer seu
desconsolo, mas estava visivelmente deprimido. Antes do intenso convívio,
o coronel e o embaixador já tinham uma relação de
amizade. Ambos costumavam encontrar-se no Parque Metropolitano, onde realizavam
corridas matinais, um hábito em comum. O clima desses dias não
permitiu conversas mais profundas, diz o embaixador. "Mas pretendo
me encontrar com ele em Brasília." Copyright © O Estado de S. Paulo. Todos os direitos reservados |
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