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Embaixada
segue em compasso de espera |
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LOURIVAL
SANTANNA |
Domingo,
24 de abril de 2005
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QUITO Ontem cedo, não
havia ninguém para impedir a saída do embaixador, onde Gutiérrez
está refugiado desde sua destituição pelo Congresso,
na tarde de quarta-feira. Mas faltava um novo contato da chancelaria.
O chanceler Antonio Parra Gil reconheceu que o Equador estava obrigado
a conceder o salvo-conduto, segundo as normas da Convenção
de Caracas sobre Asilo Diplomático, de 1954. Mas alegou que o governo
tinha o direito de estudar as condições do asilo de Gutiérrez,
antes de emitir o salvo-conduto. Segundo fontes diplomáticas,
o governo equatoriano estaria levando em consideração dois
aspectos: o ambiente político, contagiado pela indignação
de muitos equatorianos com a eventual impunidade de Gutiérrez,
contra quem foi aberta uma ação penal de responsabilidade
pela procuradora-geral interina, Cecilia Armas, por causa da repressão
aos protestos, que deixou dois mortos; e as condições de
segurança para o transporte do ex-presidente até o aeroporto
de Quito, onde embarcaria no Sucatinha, um dos antigos aviões presidenciais
da Força Aérea Brasileira. Fontes do governo
informaram na sexta-feira que o presidente Alfredo Palacio estaria aguardando
também o resultado da reunião extraordinária da Organização
dos Estados Americanos, em Washington, convocada para discutir a situação
do Equador. A reunião foi para lá de inconclusiva. Assim
como os Estados Unidos, a Espanha e os outros países, a OEA não
reconheceu formalmente o governo do presidente Alfredo Palacio, vice de
Gutiérrez, empossado depois que o Congresso declarou "abandono
de cargo". Depois de seis horas de reunião, os embaixadores
da OEA decidiram enviar uma missão ao Equador para examinar as
condições nas quais se deu a destituição de
Gutiérrez. De dentro da residência
do embaixador, rompendo a norma do asilo diplomático de não
dar declarações políticas, Gutiérrez disse
na sexta-feira pelo telefone a partidários que não abandonou
o cargo e que sua destituição foi "inconstitucional".
O imbroglio lembra o caso do presidente venezuelano, Hugo Chávez,
que desmentiu que tivesse renunciado e reassumiu o cargo depois de ser
resgatado no Forte Tiuna, onde ficara incomunicável durante dois
dias, refém de golpistas, em abril de 2002. Na época, o
Departamento de Estado americano se apressou a reconhecer o novo presidente
Pedro Carmona, tendo, depois, de voltar atrás. Ninguém quer
repetir esse constrangimento. A Constituição
equatoriana foi deixada de lado desde dezembro, quando, seguindo instruções
de Gutiérrez, o Congresso substituiu 27 dos 31 juízes da
Corte Suprema, abrindo caminho para a absolvição de dois
ex-presidentes, Abdalá Bucaram e Gustavo Noboa, e de um ex-vice,
Alberto Dahik, acusados de corrupção, permitindo seus retornos
ao país. No início deste mês, ela voltou a ser ignorada,
quando Gutiérrez dissolveu a Corte. Além do mais, a destituição
de Gutiérrez, um ex-coronel que liderou o golpe de janeiro de 2000
contra o presidente Jamil Mahuad, tendo ficado por isso vários
meses numa prisão militar, tem precedente no impeachment de Bucaram,
conhecido como El Loco, por "incapacidade mental", em
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