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Direita
e esquerda duelam na Espanha |
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| LOURIVAL
SANTANNA Enviado especial |
Domingo,
9 de março de 2008
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MADRI A Espanha disputa
hoje um clássico. Em vez de Real Madrid e Barcelona, esquerda e
direita se enfrentam num duelo cuja ferocidade se aproxima mais de uma
tourada. Há uma semana, as últimas pesquisas davam cinco
pontos de vantagem ao primeiro-ministro socialista, José Luis Rodríguez
Zapatero, sobre o líder da oposição de direita, Mariano
Rajoy, do Partido Popular. Pelo precedente, é preciso encará-las
com um grão de sal. Assim como há quatro anos, um atentado
terrorista mais uma vez se interpôs entre as sondagens e a votação. Mas a coincidência
pára aqui. Em 2004, quando quatro explosões em trens na
periferia de Madri mataram 192 pessoas três dias antes das eleições,
o governo do então primeiro-ministro José María Aznar
ignorou os sinais de autoria da Al-Qaeda e insistiu no envolvimento do
grupo Pátria Basca e Liberdade (ETA), com o propósito de
prejudicar os socialistas, que defendem a autonomia e o diálogo
com os separatistas. A manipulação custou a eleição
ao seu Partido Popular (PP), embora antes do atentado liderasse as intenções
de voto. Na sexta-feira, foi
a ETA quem de fato atacou, matando um ex-vereador socialista no País
Basco. É difícil prever que influência o atentado
terá sobre a votação de hoje, se alguma. Mas, segundo
Lorenzo Navarrete, diretor do Colégio de Politólogos e Sociólogos
de Madri, é possível que gere simpatia pelos socialistas
e impulsione o comparecimento nas urnas. As pesquisas indicam que um maior
comparecimento favorece o Partido Socialista Operário Espanhol
(PSOE): num universo de 35 milhões de eleitores, o PP tem um piso
e um teto de 10 milhões de votos, diz José Pablo Ferrándiz,
diretor do instituto de pesquisas Metroscopia. "É muito difícil
para ele crescer ou cair." É o PSOE que pode arrebatar o voto
do centro, que tende à abstenção. As pesquisas previram
comparecimento de 75% a 78%. Em 1996, o PSOE de
Felipe González foi derrotado por um desarranjo na economia que
se traduzia numa inflação de 5% e num desemprego de 22%.
Seguiram-se oito anos de governo do PP, nos quais a Espanha entrou num
círculo virtuoso de prosperidade e estabilidade. Ao fim de quatro
anos de governo do PSOE, desemprego e inflação voltam a
cruzar o caminho dos socialistas (Setor
de construção fechará até 500 mil vagas).
Mas, de novo, a coincidência
pára aqui. A situação é incomparavelmente
melhor que em meados dos anos 90. E a maioria dos eleitores não
culpa Zapatero por esses problemas, analisa o cientista político
Fernando Caballero, da Universidade Carlos 3.º "A fábrica
de dinheiro não está mais na Espanha, mas no Banco Central
Europeu", diz Caballero. "O Estado tem cada vez menos capacidade
de intervir na economia. As diferenças entre os dois partidos não
estão aí, mas no maior ou menor investimento social."
Zapatero e Rajoy coincidem
na falta de carisma. Entretanto, "Zapatero parece que fala de cima,
enquanto Rajoy poderia ser seu vizinho", descreve Fernando López,
vice-presidente do Metroscopia. Rajoy foi incrivelmente agressivo nos
debates, acusando Zapatero de "mentiroso", de "não
saber de nada" e de "não ter política para nada".
Mais comedido, Zapatero se concentrou em apresentar propostas no último
debate, de segunda-feira, que venceu por 15 a 20 pontos, segundo as pesquisas.
Os jornais espanhóis mostraram que Rajoy apresentou muito mais
informações erradas que Zapatero. A imprecisão
de Rajoy denuncia um problema ideológico, na análise de
Josefina Elías, diretora do instituto Opina. "O PP aglutina
diferentes sensibilidades políticas, desde os sócio-liberais,
do centro, até a extrema direita", observa Josefina. "Isso
é antinatural, e se nota nos debates. Rajoy é às
vezes liberal, às vezes racista e fascista, contra os imigrantes.
Com isso, perde o apoio de liberais na economia, que não conseguem
votar numa legenda apoiada por nazistas." O partido que deu origem
ao PP apoiou a ditadura de Francisco Franco (1936 a 1975). Josefina prevê
uma eventual divisão do PP, com Aznar formando um partido de extrema
direita. O PSOE, por sua vez,
tem de repartir seus votos com uma aliança à sua esquerda,
a Esquerda Unida, que tem 5% nas pesquisas. Mas, além de ter um
discurso menos errático, por isso mesmo, também se beneficia
do voto útil da esquerda, que não tolera a possibilidade
de o PP vencer. Nas pesquisas diárias realizadas pelo Opina até
o meio da semana passada, que a lei não permite divulgar, a liderança
de Zapatero sobre Rajoy vinha se alargando. O certo é que
essas eleições consagram o bipartidarismo na Espanha, concordam
os analistas. Cerca de 90% dos eleitores votarão ou no PSOE ou
no PP. Embora não haja uma discrepância muito forte nas duas
propostas de política econômica - os fundamentos da responsabilidade
fiscal são igualmente abraçados -, as diferenças
ideológicas se tornam visíveis nas nuances. O PP defende
incentivos fiscais aos mais pobres; o PSOE prefere complementar renda
e aumentar gastos sociais. A oposição quer fechar ainda
mais as portas aos imigrantes; o governo promove contratos de trabalhadores
estrangeiros nos países de origem. Rajoy se alarma com a predominância
da língua e da cultura catalã, basca e galega sobre a espanhola
nas regiões autônomas. Zapatero defende o seu alto grau de
autonomia. Na Espanha, a História
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