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Setor
de construção fechará até 500 mil vagas |
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| LOURIVAL
SANTANNA Enviado especial |
Domingo,
9 de março de 2008
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MADRI A três dias
das eleições gerais, o jornal ABC, um dos maiores do Espanha,
estampou na quinta-feira uma manchete pouco animadora: "A crise na
construção civil deixará no desemprego 1.140.000
pessoas este ano." Aparentemente, a conta está exagerada,
segundo o diretor de análise econômica do Instituto de Estudos
Econômicos, Gregório Izquierdo. O especialista diz que é
cedo para estimar um número exato, pois "depende da intensidade
e da duração da desaceleração", mas o
setor de construção de residências deve fechar este
ano entre 250 mil e 500 mil vagas. Principalmente considerando
que cada dois empregos criados diretamente na construção
civil gera um em outros setores da economia, diz Izquierdo. No boom da
construção civil, há dois anos, o setor chegou a
empregar 13% da força de trabalho espanhola (22,4 milhões).
Os bancos destinavam 60% de seus créditos à moradia. A Espanha
construía mais casas que a França, a Alemanha, Bélgica,
Holanda e Luxemburgo, somados. E consumia metade do cimento da Europa.
Entre 2004 e 2007, a Espanha foi responsável por 11% do crescimento
da zona do euro e por 40% dos empregos criados nesses 15 países,
dos quais se tornou a quarta economia, superando a renda per capita da
Itália. Assim como o boom
da construção civil puxou a economia espanhola, que cresceu
acima de 4% ao ano nos últimos quatro anos, a crise no setor também
compromete fortemente a atividade econômica. Depois de um crescimento
de 3,5% em 2007, estima-se que fique entre 2,0% e 2,6% este ano. De seis
meses para cá, o desemprego subiu um ponto porcentual, para 8,6%.
A produção industrial caiu 0,3% em dezembro. A desaceleração,
iniciada em meados do ano passado, teve origem no aumento gradual da taxa
básica de juros pelo Banco Central Europeu, de 2%, em dezembro
de 2005, para 4%, em junho de 2007. A medida foi para conter a inflação
crescente na Europa, problema mais crítico justamente na Espanha,
onde bateu em 4,3%. Segundo José Antonio Pérez, do Instituto
de Prática Empresarial, mudanças na lei causaram insegurança
jurídica, e o aumento do tempo de recuperação dos
investimentos e do desemprego, desconfiança dos investidores. O governo afirma que
tem dinheiro em caixa para contornar a crise, graças ao superávit
fiscal, que em 2007 foi de 2,23% do PIB, impulsionado por um aumento de
11,8% na arrecadação sobre o ano anterior. "O problema
é que o governo, por ocasião das eleições,
aumentou fortemente os gastos públicos no último ano e meio,
e isso vai comprometer a margem orçamentária para enfrentar
a crise", adverte Izquierdo. "Com a eventual redução
da arrecadação, poderemos passar no curto prazo do superávit
para o déficit." Para o economista, "o correto seria
baixar mais os impostos diretos e contribuições sociais,
para estimular o crescimento e a geração de empregos, e
não aumentar o gasto público com medidas populistas",
como o aumento das aposentadorias, e ajudas de custo para o aluguel e
para quem tem bebês. "O gasto público
pode ter aumentado em números absolutos, mas como porcentagem (do
PIB), não subiu mais de dois décimos", discorda o economista
José Juan Ruiz, do Banco Santander. "Déficit na conta
externa (10% do PIB) e desaceleração na construção
civil são duas palavras feias, mas não impedem que a economia
espanhola cresça um ponto acima da média na Europa."
As eleições de hoje dirão em que medida prevalecem
o pessimismo de Izquierdo e o otimismo de Ruiz. Copyright © O Estado de S. Paulo. Todos os direitos reservados |
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