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País
investe no Brasil mais de US$ 30 bilhões |
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| LOURIVAL
SANTANNA Enviado especial |
Domingo,
9 de março de 2008
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MADRI O ministro das Relações
Exteriores, Celso Amorim, veio descansar na Espanha durante o Carnaval.
Mesmo assim, foi ter com o seu colega espanhol. Amorim, de ascendência
espanhola, pediu a Miguel Ángel Moratinos que a Espanha contivesse
a repatriação de brasileiros que chegam ao Aeroporto de
Madri-Barajas e que abrisse o seu mercado às empresas do Brasil
na disputa de contratos públicos, para que esses dois problemas
deixassem de ser um "irritante" nas relações dos
dois países. O primeiro pedido,
como se sabe, foi ignorado. A imigração foi um dos temas
centrais da campanha eleitoral e o governo socialista é acossado
pela oposição de direita por ser excessivamente complacente
com os estrangeiros, segundo a sua visão, sobrecarregando os serviços
sociais com os imigrantes, de baixa renda, em vez de dar conforto aos
espanhóis. E quem vota nessas eleições são
os espanhóis, não os brasileiros. O segundo pleito é de mais longo prazo. A Espanha protege suas empresas nas licitações, incluindo nos editais exigências como "conhecimento do mercado local", e não é só o Brasil que se queixa disso. Vizinhos como França e Itália também saem prejudicados. Mesmo assim, grandes empresas brasileiras começam a entrar no mercado espanhol. A siderúrgica Gerdau, junto com o Banco Santander, comprou por US$ 430 milhões (cada um deu metade) a Sidemor, no País Basco, que fabrica lâminas de aços especiais para a indústria automobilística européia. A Santista Têxtil, do Grupo Camargo Corrêa, obteve o controle acionário Tazex Algodonera, também no País Basco. Alguns dos setores
em que os brasileiros são mais competitivos, como siderúrgico,
têxtil, papel e celulose, cimento e petróleo (a Petrobrás
estudou comprar a Cepsa, segunda empresa do setor na Espanha) são
justamente aqueles em que os espanhóis estão obsoletos. Nada, no entanto, que se compare à onipresença da Espanha no Brasil, que abriga 283 empresas espanholas, dos mais diversos setores, muitas delas familiares, de pequeno e médio porte. Sexto maior investidor mundial, a Espanha é o segundo no Brasil, perdendo apenas para os Estados Unidos. O Brasil também é o segundo destino de investimentos espanhóis no exterior (10,9%), atrás apenas da Grã-Bretanha (17,4%). Até 2006, o Banco Central do Brasil computou um estoque de US$ 29,6 bilhões de investimentos espanhóis, já contabilizadas as vendas de empresas espanholas. O número de
2007 ainda não está consolidado, mas, com a compra da Italia
Telecom (controladora da TIM no Brasil) pela Telefônica e do Real
ABN Amro pelo Santander, mais os leilões de rodovias e de linhas
de transmissão vencidos por empresas espanholas, e ainda a construção
de complexos hoteleiros e residenciais no Nordeste, esse estoque chegou
facilmente aos US$ 31 bilhões. No comércio,
a relação se inverte. Em 2007, o Brasil exportou US$ 4,48
bilhões para Espanha (49,2% a mais que em 2006), em soja, milho,
fumo, estanho, lâminas de aço e carne congelada. E importou
menos da metade, US$ 1,84 bilhão (28,7% mais que no ano anterior),
em peças para aviões e para automóveis, produtos
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