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Controle
migratório seguirá rígido |
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| LOURIVAL
SANTANNA Enviado especial |
Segunda-feira,
10 de março de 2008
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MADRI A reeleição
do primeiro-ministro José Luis Rodríguez Zapatero deve significar
a continuação da política de imigração
adotada nos últimos anos pelo governo espanhol. Para as dezenas
de brasileiros deportados ao desembarcar dos 43 vôos semanais que
chegam a Madri, isso pode servir de pouco alento. Mas uma vitória
do líder da oposição de direita, Mariano Rajoy, resultaria,
em tese, num endurecimento ainda maior no controle dos imigrantes. Em 2005, o primeiro-ministro
socialista promoveu uma mega-regularização sumária
de 700 mil imigrantes ilegais. Como resultado, foi severamente criticado
tanto pelos outros países da União Européia quanto
pela oposição de direita, por ter, com isso, estimulado
a imigração ilegal. Na Espanha existem hoje 4,5 milhões
de imigrantes, ou 10% da população, dos quais 2 milhões
chegaram ao país depois que Zapatero assumiu, em 2004. Em entrevista
ao jornal El País, na sexta-feira, Zapatero garantiu que não
haverá mais regularizações em massa. Ao contrário:
"Na medida em que pudermos, (vamos) repatriar. Quando temos um imigrante
ilegal, o repatriamos." Os dados do Ministério
do Interior confirmam esse endurecimento. Enquanto entre 2000 e 2003,
no segundo mandato do Partido Popular, a Espanha repatriou (por diversos
motivos) 258.049 estrangeiros, entre 2004 e 2007 as repatriações
saltaram para 370.027 - um crescimento de 43,4%. Em 2005, foi recusada
a entrada de 15.258 estrangeiros; em 2006, esse número subiu para
19.332, e em 2007, para 24.355 - dos quais, 2.830 brasileiros (em janeiro
deste ano foram mais de 300 e em fevereiro, 452). Como resultado, pelas
estimativas do governo, conseguiram instalar-se na Espanha apenas 18.057
imigrantes ilegais em 2007, o que significa uma diminuição
de 53,9% em relação a 2006, quando entraram 39.180 "indocumentados".
Zapatero disse que há cerca de 250 mil imigrantes ilegais na Espanha.
Desses, entre 25 mil e 30 mil são brasileiros, segundo estimativas. O primeiro-ministro
sabe, no entanto, que a economia espanhola necessita dos imigrantes, para
ocupar funções não qualificadas e pouco remuneradas,
que os espanhóis se recusam a desempenhar, e para preencher o vazio
demográfico de uma população que envelhece rapidamente.
De acordo com o Instituto Nacional de Estatística, em 2012 a fatia
de espanhóis com mais de 65 anos saltará de 20% para 35%.
Apesar da desaceleração econômica, o mercado de trabalho
espanhol deverá absorver outros 4 milhões de imigrantes
até 2015. Segundo o próprio Zapatero, os imigrantes foram responsáveis por metade do crescimento econômico da Espanha nos últimos quatro anos, que registrou uma média de 4%, e arcam, com suas contribuições previdenciárias, pelo pagamento de benefícios de 1 milhão de aposentados espanhóis. O primeiro-ministro
promete ampliar os "acordos de contratação na origem",
já firmados com Colômbia, Equador, República Dominicana,
Marrocos, Romênia, Polônia, Bulgária e Mauritânia.
Segundo a agência France Presse, 200 mil estrangeiros obtiveram
permissão de residência na Espanha em 2007 e outros 180 mil
em 2006, graças a esses contratos na origem. Copyright © O Estado de S. Paulo. Todos os direitos reservados |
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