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América
Latina está entre as prioridades de Zapatero |
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| LOURIVAL
SANTANNA Enviado especial |
Terça-feira,
11 de março de 2008
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MADRI O primeiro-ministro
reeleito da Espanha, o socialista José Luis Rodríguez Zapatero,
disse ontem que uma de suas prioridades na política externa será
promover a estabilidade política e a cooperação econômica
com os países da América Latina, por meio da União
Européia (UE). Citando a reunião de cúpula entre
os governos da UE e da América Latina, marcada para 16 de maio
em Lima (Peru), Zapatero garantiu que "todos os acordos pendentes
de natureza econômica beneficiarão muito a América
Latina". Segundo ele, essa
aproximação dará "maior relevância à
UE no concerto internacional", um dos objetivos de seu governo. "Nessa
legislatura, devemos apostar num relançamento do compromisso europeu
e da relevância da Europa no mundo", sublinhou o líder
socialista, em sua primeira entrevista coletiva, no seu comitê de
campanha, depois da vitória nas eleições gerais de
domingo. Zapatero festejou
o fato de o Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE) ter tido
o maior número de votos de sua história, e o terceiro em
porcentagem. O PSOE venceu com 11.064.524 votos, ou 43,64%, seguido pelo
Partido Popular (PP), de direita, que teve 10.169.973, ou 40,11% - também
a maior votação de sua história. Tanto o PSOE quanto
o PP ganharam mais cinco cadeiras no Congresso, elegendo 169 e 153 deputados,
respectivamente. Num Congresso de 350
cadeiras, Zapatero precisará novamente de apoio de outros grupos
para governar. O primeiro-ministro não quis antecipar se continuará
governando por meio de acordos pontuais com os partidos menores, como
fez nos últimos quatro anos, ou se buscará garantir a maioria
absoluta formando uma coalizão mais estável. "Precisamos
primeiro falar com cada um deles", disse Zapatero. O governo socialista
deve contar com o apoio da Convergência e União (CiU), da
Catalunha, cuja bancada aumentou de 10 para 11 deputados. Em contrapartida,
um dos partidos que acudiam o governo nas votações, a Esquerda
Republicana da Catalunha (Esquerra), já não será
mais de tanta valia: sua bancada encolheu de 8 para 3 deputados. O Partido Nacional
Basco (PNV), que também apóia o governo, caiu de 7 para
6 cadeiras. O PSOE - ou sua versão local, o PSE - teve mais votos
no País Basco do que o seu aliado PNV, elegendo 9 deputados. A
eleição foi realizada sob o impacto do assassinato do ex-vereador
socialista Isaías Carrasco, na sexta-feira, pelo grupo separatista
Pátria Basca e Liberdade (ETA), na cidade basca de Mondragón.
Num sinal de que a
sua segunda derrota eleitoral consecutiva poderá lhe custar a liderança
do PP, Rajoy não falou ontem com os jornalistas. No seu lugar,
foi o secretário-geral do partido, Ángel Acebes, quem concedeu
uma coletiva. Acebes garantiu que o PP estava "orgulhoso" da
liderança de Rajoy, mas não quis responder se ele continuaria
no cargo. Ele explicou que a direção do PP se reuniria hoje
para discutir o futuro, e só depois Rajoy falaria. Os resultados eleitorais
de ontem já derrubaram um outro líder - Gaspar Llamazares,
da Esquerda Unida. A coalizão, que se situa à esquerda do
PSOE, viu seu apoio encolher de 1.284.081 votos (4,96%) em 2004, para
963.040 (3,80%). Mas, pelo sistema proporcional, o estrago foi ainda maior
em número de cadeiras: de 8, sua bancada caiu para 3. Os resultados
de domingo reforçam duas tendências na Espanha: o bipartidarismo
e a decadência de alguns partidos regionalistas e separatistas. Copyright © O Estado de S. Paulo. Todos os direitos reservados |