|
Espanha
veta entrada de 30 brasileiros |
|
| LOURIVAL
SANTANNA Enviado especial |
Quinta-feira,
6 de março de 2008
|
|
MADRI Trinta brasileiros
foram retidos ontem no Aeroporto de Madri-Barajas e correm o risco de
ser deportados. O incidente culmina uma escalada de recusas de entrada
de brasileiros na Espanha. O embaixador espanhol em Brasília, Ricardo
Peidró, será chamado hoje ao Itamaraty e ouvirá do
secretário-geral das Relações Exteriores, Samuel
Pinheiro Guimarães, que essas atitudes prejudicam a imagem da Espanha
no Brasil. O governo brasileiro considera a possibilidade de começar
a negar a entrada de espanhóis no País. A informação
da retenção dos 30 brasileiros chegou ao embaixador do Brasil
em Madri, o ex-ministro da Defesa José Viegas Filho, por volta
de 21 horas locais (17h em Brasília), quando os escritórios
do governo espanhol já estavam fechados. Mas Viegas deverá
manifestar hoje ao chefe de gabinete do chanceler espanhol, Miguel Angel
Moratinos, a insatisfação do Brasil com a situação.
O cônsul-geral
do Brasil em Madri, Gelson Fonseca, pediu à delegacia de imigração
do aeroporto que liberasse os brasileiros, mas o pedido foi negado. Os
policiais afirmaram que os brasileiros estavam causando desordem no aeroporto.
Entre eles estão dois pesquisadores do Instituto Universitário
de Pesquisas do Rio de Janeiro (Iuperj), que pretendiam fazer apenas uma
conexão em Madri com destino final em Lisboa, onde tinham compromissos
acadêmicos. Os funcionários
da imigração, no entanto, consideraram que eles não
tinham provas suficientes de que estavam indo para Lisboa, além
do fato de estarem apenas com 250 euros cada um, quando, pelas regras,
os passageiros têm de trazer no mínimo 57 euros para cada
dia de estada. A detenção
em massa dos brasileiros reflete o recrudescimento da política
de imigração da Espanha, um dos temas preferidos da oposição
de direita, na campanha para as eleições gerais que se realizam
no domingo. O candidato a primeiro-ministro pelo Partido Popular, Mariano
Rajoy, defende controle mais rígido da entrada e permanência
de estrangeiros, com expulsão imediata daqueles envolvidos em crimes
e a obrigação de aderir aos "costumes e valores"
da Espanha. Em 2006, a média
diária de deportações de brasileiros era entre dois
e cinco. No ano passado, saltou para dez. Em janeiro deste ano, foram
300 deportados, ou "inadmitidos", por dia, segundo o jargão
da área. A retenção não significa que todos
os brasileiros serão deportados. Seu caso está sendo examinado
pelos funcionários da imigração, que têm até
72 horas para liberar sua entrada ou mandá-los de volta para o
Brasil. A Espanha alega que
tem sido pressionada pela União Européia (UE) a conter a
entrada de imigrantes. Com 43 vôos semanais entre Brasil e Espanha,
a prosperidade econômica espanhola e a proximidade do idioma, o
país tem sido a porta de entrada dos brasileiros na Europa. Dos
cerca de 100 mil brasileiros que vivem na Espanha, algo em torno de 60%
estão ilegais. No âmbito do
Acordo de Schengen, que a partir de 1985 abriu gradualmente as fronteiras
entre os países da UE, o controle de imigração cabe
ao primeiro país europeu aonde chegam os estrangeiros. A partir
daí, os passageiros dos vôos que vêm de países
europeus não passam por controle de imigração. A partir de novembro
de 2006, a UE enrijeceu o controle da chegada nos aeroportos, para conter
o número de imigrantes ilegais. Na delegacia de imigração
do aeroporto em Madri, funcionários de outros países europeus
acompanham o trabalho dos espanhóis. No dia 9 de fevereiro,
a estudante Patrícia Magalhães, que faz mestrado no Instituto
de Física da Universidade de São Paulo, teve a entrada recusada
em Madri, apesar de só pretender fazer uma conexão para
Lisboa, onde apresentaria um trabalho numa conferência internacional.
Mesmo mostrando aos policiais o seu trabalho e o seu nome impresso no
cartaz da conferência, eles a deportaram de volta ao Brasil. O chanceler Celso
Amorim passou o Carnaval em Madri, e aproveitou para se reunir com Moratinos
e queixar-se do problema. Parece que não surtiu resultados. Copyright © O Estado de S. Paulo. Todos os direitos reservados |