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Apesar
de ameaça de retaliação, Espanha deporta 20 brasileiros |
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| LOURIVAL
SANTANNA Enviado especial |
Sexta-feira,
7 de março de 2008
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MADRI O governo agiu ontem
em três frentes para tentar conter a crescente deportação
de brasileiros da Espanha, depois que cerca de 30 cidadãos do País
ficaram retidos no Aeroporto de Madri-Barajas, na quarta-feira. O chanceler
Celso Amorim emitiu uma dura nota oficial, o secretário-geral de
Relações Exteriores, Samuel Pinheiro Guimarães, convocou
o embaixador espanhol em Brasília e o embaixador do Brasil em Madri,
José Viegas Filho, apresentou uma queixa na Chancelaria da Espanha. Depois de tudo isso,
20 brasileiros foram deportados, incluindo dois pesquisadores do Instituto
Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (Iuperj), que só
queriam fazer uma conexão para Lisboa, para participar de um congresso
da Associação Portuguesa de Ciência Política.
Pedro Lima e Patrícia Rangel devem chegar hoje ao Rio. Na nota,
Amorim, que estava na República Dominicana, adverte que o Brasil
estuda recorrer à "reciprocidade", o que, em linguagem
diplomática, significa que poderá retaliar recusando a entrada
de espanhóis no Brasil. O embaixador Viegas
ouviu de um funcionário do gabinete do chanceler Miguel Ángel
Moratinos que o Ministério de Relações Exteriores
espanhol "está muito preocupado com o tema, e fazendo gestões
internas para reduzir e impedir a repetição desses problemas".
O controle de entrada fica a cargo da Delegacia de Imigração,
subordinada ao Ministério do Interior. Os funcionários
seguem critérios objetivos para a recusa da entrada de passageiros,
como a exigência de que tenham pelo menos 57 euros para gastar por
dia de estadia prevista ou a carta de um banco comprovando limite suficiente
de cartão de crédito; passagem de ida e volta, comprovante
de reserva de hotel ou, se vão ficar na casa de alguém,
uma carta dos anfitriões seguindo um modelo definido pela Delegacia
de Imigração. E há também critérios
mais subjetivos. Por exemplo, se a bagagem é muito volumosa, e
contém roupas de verão quando se está no inverno,
já é motivo de desconfiança. A maioria dos "inadmitidos"
está na faixa etária entre 20 e 35 anos. Eles aguardam julgamento
de seu caso por um juiz, assistidos por um advogado público. Se
sua deportação é confirmada, têm de esperar
que a mesma companhia na qual vieram tenha assento disponível no
vôo de volta. Isso pode demorar dias. Eles ficam numa área
isolada do aeroporto, com sala e quartos com beliches. Há brinquedos
para as crianças, já que famílias inteiras também
ficam retidas. Recebem água e sanduíches. Na sala, o consulado-geral
do Brasil colocou um cartaz com um número de telefone, que eles
podem chamar, comprando um cartão e usando um telefone público
- já que seus celulares são apreendidos. Alguns ligam para
o consulado, outros preferem falar apenas com suas famílias no
Brasil. O problema da deportação
crescente de brasileiros se tornou público no dia 9 de fevereiro,
quando a estudante Patrícia Camargo Magalhães, de 23 anos,
que faz mestrado no Instituto de Física da Universidade de São
Paulo, teve a entrada recusada em Madri. Como os dois pesquisadores do
Iuperj, ela faria apenas uma conexão para Lisboa, onde apresentaria
um trabalho numa conferência internacional. Mesmo mostrando aos
policiais o seu trabalho e o seu nome impresso no cartaz da conferência,
eles a deportaram. O chanceler Celso
Amorim passou o Carnaval em Madri, quando aproveitou para se reunir com
seu colega espanhol, Miguel Ángel Moratinos, e queixar-se do problema.
Parece que não surtiu resultados. Na
nota de ontem, redigida pelo próprio Amorim, o Brasil ameaça
com adotar o "princípio da reciprocidade", o que, em
linguagem diplomática, significa pagar com a mesma moeda. Copyright © O Estado de S. Paulo. Todos os direitos reservados |