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Deportações
são resposta de Zapatero a pressões da oposição |
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| LOURIVAL
SANTANNA Enviado especial |
Sexta-feira,
7 de março de 2008
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MADRI A deportação
de brasileiros no aeroporto de Madri-Barajas aumentou 20 vezes de 2006
para cá. Naquele ano, a média de deportações
de brasileiros era de 20 por mês. No ano passado, foram deportados
cerca de 2.800, ou 233 por mês. Em janeiro, o número saltou
para 300 e em fevereiro, para mais de 400. Só ontem, foram 20.
O aumento é resultado de pressões que o governo do primeiro-ministro
socialista José Luis Rodríguez Zapatero vem sofrendo da
oposição e da União Européia para controlar
a imigração. Ao longo da campanha
para as eleições gerais de domingo, o líder da oposição,
Mariano Rajoy, do direitista Partido Popular, acusou o governo de sobrecarregar
os serviços sociais - saúde, educação, seguro-desemprego,
refeições para os pobres - com os estrangeiros. "Como
eles têm renda menor, acabam tomando o lugar dos espanhóis",
disse Rajoy no último debate, na segunda-feira. Seu mote: "Não
cabemos." O líder direitista
propõe mudanças na lei, estabelecendo a expulsão
imediata de estrangeiros envolvidos em crimes, antes mesmo de seu julgamento,
e a obrigação de firmar um contrato comprometendo-se a respeitar
os "valores e costumes" espanhóis. A piada na Espanha
é que os imigrantes terão de assistir a touradas, gostar
de tortilla e dançar flamenco. Zapatero reconheceu
que é necessário controlar a imigração, mas
ponderou que as contribuições previdenciárias pagas
pelos estrangeiros cobrem o pagamento de aposentadorias de 1 milhão
de espanhóis. Nesta década,
estabeleceram-se na Espanha cerca de 5 milhões de estrangeiros,
em sua maioria vindos da América Latina. Ninguém sabe ao
certo, mas calcula-se que haja 100 mil brasileiros no país, dos
quais 60% "indocumentados", conforme o jargão. Com 43
vôos semanais, a proximidade da língua e a prosperidade econômica,
a Espanha se tornou uma porta de entrada de brasileiros para a Europa. Com a economia crescendo
em média mais de 4% ao ano nos últimos quatro anos, o mercado
de trabalho assimilou boa parte desse fluxo. "Foi muito positivo
para a economia: os imigrantes representaram maior oferta de mão-de-obra
e maior demanda de serviços, produtos e residências",
disse ao Estado Gregório Izquierdo, diretor de análise econômica
do Instituto de Estudos Econômicos, de Madri. "Foi um fator
de dinamização da economia espanhola. O problema é
que a Espanha agora está fechando vagas e já não
tem tanta capacidade para absorver os fluxos migratórios."
A partir de meados
do ano passado, a economia espanhola vem sofrendo uma desaceleração,
ocasionada pelo aumento dos juros pelo Banco Central Europeu e por uma
crise de insolvência no mercado imobiliário, semelhante à
ocorrida nos Estados Unidos. O desemprego está aumentando. Os mais
atingidos são justamente os imigrantes, que se dedicam a trabalhos
de mais baixa qualificação, como os da construção
civil. Enquanto o desemprego entre os espanhóis é de 7,95%,
entre os imigrantes atinge 12,37%. Além disso,
o governo espanhol alega que tem sido pressionado pela União Européia
a exercer maior controle. Na Delegacia de Imigração do Aeroporto
de Barajas, funcionários de outros países europeus acompanham
os trabalhos dos espanhóis. Pelos Acordos de Schengen, firmados
a partir de 1985, não há controle de circulação
de pessoas entre as fronteiras da UE e de alguns países vizinhos,
como a Suíça. Assim, o controle só é exercido
no desembarque de quem vem de fora do chamado Espaço Schengen.
Passageiros vindos de países de dentro desse espaço, como
é o caso dos que fazem conexão, não passam mais por
nenhum controle. Copyright © O Estado de S. Paulo. Todos os direitos reservados |
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