|
Maioria
apóia lei de proteção do espanhol |
|
| LOURIVAL
SANTANNA Enviado especial |
Sexta-feira,
7 de março de 2008
|
|
MADRI Depois de terem livrado,
há 30 anos, os idiomas catalão, basco e galego da implacável
repressão sofrida na ditadura do general Francisco Franco (1936
a 1975), os espanhóis sentem que é hora de fazer o contrário:
proteger o espanhol da avassaladora predominância dessas línguas
nas regiões autônomas. Pesquisa do instituto Sigma Dos mostra
que 88,2% dos entrevistados apóiam uma lei garantindo o ensino
em espanhol em todo o país, proposta pelo líder da oposição
de direita Mariano Rajoy, candidato a primeiro-ministro pelo Partido Popular
na eleição de domingo. No debate de segunda-feira,
Rajoy colocou contra a parede o primeiro-ministro socialista José
Luis Rodríguez Zapatero, candidato à reeleição,
perguntando se ele apoiaria essa proposta. Zapatero não respondeu.
Os eleitores responderam por ele. Segundo a pesquisa, a idéia é
acolhida com entusiasmo até pelos eleitores do Partido Socialista
Operário Espanhol (PSOE), de Zapatero, dos quais 88,3% são
favoráveis. Entre os eleitores do PP - herdeiro do partido que
apoiava o franquismo -, o índice é naturalmente maior: 97,9%.
Até os eleitores da Esquerda Unida, que se situa à esquerda
do PSOE, apóiam amplamente a idéia: 71%. No País Basco,
na Galícia, na Catalunha e nas Ilhas Baleares, as escolas ensinam
em basco, galego e catalão, respectivamente. O espanhol é
apenas uma matéria, como o inglês. "A proposta de Rajoy
entra em conflito com a Lei das Autonomias (de 1979)", analisa o
sociólogo Juan Miguel de la Fuente, especialista em educação.
As autoridades regionais de ensino têm autonomia para definir os
currículos de suas escolas. Ele explica que as
crianças dessas comunidades têm mais interesse em estudar
nas respectivas línguas, porque com isso aumentam as suas chances
no mercado de trabalho, onde elas são mais valorizadas que o espanhol.
O problema surge quando uma família se muda de uma região
da Espanha para outra. As crianças enfrentam dificuldades para
aprender. Além disso,
a língua representa uma reserva de mercado para os professores
das comunidades, observa De la Fuente, que dá aula de geografia,
história e ética numa escola secundária em Cantabria,
a 35 quilômetros da cidade basca de Bilbao. "Eu não
poderia trabalhar no País Basco, por exemplo, mas um catalão,
um basco ou um galego pode trabalhar em qualquer lugar do país,
porque domina o espanhol." Rajoy contou no debate
a história do dono de uma imobiliária de Vilanova, na Catalunha,
que teria sido multado em 400 euros por causa de uma placa em espanhol.
O candidato deu a entender que o espanhol era proibido na Catalunha. "A
política de língua é a mesma aplicada há 20
anos", limitou-se a responder Zapatero. Na verdade, Manuel Nevot
foi multado - recorreu e ainda não pagou - porque a palavra "fincas"
(sítios, chácaras) no nome da firma (Fincas Nevot) está
só em espanhol, e não em catalão também, como
exige a lei. "Uma Espanha
forte deve ficar unida, e não dividida", argumentou Zapatero,
que lidera as pesquisas de intenção de voto com 5 pontos
porcentuais sobre Rajoy. O candidato do PP o acusou de enganar a ele como
líder da oposição e de mentir aos espanhóis
por ter negociado com o grupo separatista Pátria Basca e Liberdade
(ETA), com isso cedendo ao terrorismo. Zapatero respondeu com uma comparação
desconcertante: nos oito anos de governo do PP (entre 1996 e 2004), 238
pessoas foram mortas em ataques terroristas, incluindo 192 no atentado
da Al-Qaeda nos trens de Madri em março de 2004; no atual governo
socialista, foram 4 mortes. Copyright © O Estado de S. Paulo. Todos os direitos reservados |
| Anterior |