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ETA
mata político antes de eleições |
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| LOURIVAL
SANTANNA Enviado especial |
Sábado,
8 de março de 2008
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MADRI A dois dias das eleições
gerais na Espanha, o grupo separatista Pátria Basca e Liberdade
(ETA) trouxe o terrorismo de volta ao centro do debate político,
matando o ex-vereador socialista Isaías Carrasco em Mondragón,
no País Basco. O primeiro-ministro socialista, José Luis
Rodríguez Zapatero, e o líder da oposição,
Mariano Rajoy, do direitista Partido Popular (PP), uniram-se para condenar
o atentado, numa reunião de todas as forças políticas
no Congresso. Depois de uma conversa
por telefone entre Zapatero e Rajoy, o Partido Socialista Operário
Espanhol (PSOE) e o PP cancelaram os seus comícios de encerramento
de campanha, previstos para ontem em Madri e noutras cidades. Após
a reunião, foi divulgado um comunicado, assinado por todas as bancadas
parlamentares e pelos sindicatos dos trabalhadores e patronal, no qual
eles se dizem "dispostos a responder a essa agressão de forma
firme e unitária, através da força exclusiva do Estado
de Direito". A união, no
entanto, não durou muito. O secretário de Justiça
e Liberdades Públicas do PP, Ignacio Astarloa, lamentou que o comunicado
não incluísse um compromisso de não negociar com
a ETA e a revogação de uma resolução de maio
de 2005, que autoriza o governo a dialogar com o grupo desde que ele não
esteja cometendo atos violentos. Durante a campanha, Rajoy criticou duramente
Zapatero por ter aberto um canal de negociação com a ETA.
"Vamos
derrotar a ETA e os assassinos de Isaías vão acabar muito
em breve na cadeia", declarou ontem o líder da oposição. Há quatro anos,
as eleições gerais também foram realizadas sob a
sombra de um atentado terrorista. No dia 11 de março de 2004, três
dias antes do pleito, quatro bombas colocadas em trens na periferia de
Madri mataram 192 pessoas. O governo do PP, que liderava as pesquisas,
atribuiu o atentado à ETA. Praticamente no dia da eleição,
no entanto, ficou claro que se tratava da Al-Qaeda. O então primeiro-ministro
José Maria Aznar foi acusado de manipulação para
tentar prejudicar o PSOE, mais propenso ao diálogo com a ETA, e
saiu derrotado. Desta vez, as pesquisas indicam vitória do PSOE
por 5 pontos de vantagem sobre o PP. "Quiseram interferir
hoje na pacífica manifestação da vontade dos cidadãos
convocados às urnas", disse ontem Zapatero, em pronunciamento
no Palácio de La Moncloa. Segundo ele, a ETA "já está
vencida com a democracia, repudiada e isolada pelo conjunto dos espanhóis
e da sociedade basca". Zapatero prometeu "perseguir com todos
os instrumentos do Estado de Direito, os terroristas, os que lhes prestam
apoio e os que apóiam e justificam suas ações". O grupo separatista
clandestino Batasuna, considerado o braço político da ETA,
advertiu que o atentado "é uma amostra do recrudescimento
político e armado". O comunicado afirma: "O Batasuna
seguirá trabalhando até que se respeitem os direitos de
todos os cidadãos bascos, porque esse é o único caminho
para ir às raízes do conflito." Carrasco, de 42 anos,
que trabalhava numa praça de pedágio, estava entrando no
carro para ir para o serviço, quando foi atingido por pelo menos
cinco tiros. O autor dos disparos vestia um terno preto e trazia uma barba
postiça e o rosto descoberto. Ele e um comparsa fugiram de carro.
Carrasco não se reelegeu vereador nas eleições municipais
do ano passado, e recusava escolta. Segundo o diretor do Colégio de Politólogos e Sociólogos de Madri, Lorenzo Navarrete, o atentado pode estimular o comparecimento dos eleitores nas urnas amanhã. As pesquisas indicam que um maior comparecimento favoreceria os socialistas. O PP tem um eleitorado mais inelástico, na casa dos 10 milhões de eleitores (de um total de 35 milhões), e os eleitores de centro, que tendem a se abster, prefeririam o PSOE, explica José Pablo Ferrándiz, diretor do instituto de pesquisas Metroscopia. Para Navarrete, isso
não está claro. "Pode ser um maior comparecimento para
todas as opções", disse ele ao Estado. O analista pondera,
no entanto, que o atentado pode também "aumentar a identificação
com a vítima", no caso o PSOE, ao qual Carrasco pertencia. Copyright © O Estado de S. Paulo. Todos os direitos reservados |