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Depois
de boom, desemprego volta a assombrar a Espanha |
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| LOURIVAL
SANTANNA Enviado especial |
Domingo,
12 de abril de 2009
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MADRI Irene Gómez
Navarro, de 25 anos, estudou sociologia e fez mestrado em cooperação
internacional. Não é um bom momento para encontrar um emprego
na sua área. "Com a crise, diminui a ajuda internacional",
diz ela. Há cinco meses, Irene encontrou um emprego de operadora
de telemarketing, por um salário de € 1.000 (R$ 2.910). Na
terça-feira, foi comunicada de que estava demitida: a sua campanha
de venda de produtos financeiros fora encerrada. "Fiquei surpresa",
contou Irene. "Avisaram-me 10 minutos antes de acabar o expediente."
Irene tem direito a um seguro-desemprego de € 600 (R$ 1.746), durante
dois anos, mas seu padrão de vida sofrerá um abalo: só
de aluguel ela paga € 300 (R$ 873). "Para mim, não
foi surpresa", contou José Carlos del Arco, de 37 anos, um
dos 50 demitidos de uma empresa de tecnologia da informação
com 500 funcionários. "Eu estava sofrendo um isolamento. Aconteciam
coisas estranhas. As pessoas me olhavam diferente." Antes com um
salário de € 2.100 (R$ 6.111), ele terá de se adaptar
a um seguro-desemprego de € 1.200 (R$ 3.492). Só de aluguel,
paga € 700 (R$ 2.073). Depois dos dois anos, quem continua desempregado
passa a receber um benefício de € 450. O índice de
desemprego da Espanha, 15,5%, é o mais alto entre os 30 países
da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento
Econômico, cuja taxa média é de 7,3%. O desemprego
espanhol é tradicionalmente alto, por causa dos altos encargos
trabalhistas e do alto custo das demissões para as empresas. Para
contornar esses custos, as empresas recorrem a contratos temporários,
que representam um terço do total, e contribuem para aumentar o
índice de desemprego, já que são maiores as chances
de a pesquisa detectar o trabalhador entre um emprego e outro, explicaram
ao Estado integrantes da equipe econômica do governo. Depois
de picos acima de 20% nos anos 90, o desemprego havia caído para
7,6% em 2007, no auge do boom econômico, impulsionado pela construção
civil. Alodia Tasso trabalhou
durante 14 de seus 45 anos numa das maiores imobiliárias do país
- o setor que está no centro da crise espanhola. Dos 450 funcionários,
200 já foram demitidos. Por exigência de uma lei que reduz
as indenizações, as dispensas começam pelos mais
jovens, os que têm menos tempo de casa e os que não têm
dependentes. Alodia, pela sua antiguidade, estava mais para o fim dessa
fila. "Agora quero
descansar", diz Alodia, que ganhava € 1.600 (R$ 4.656) de salário,
recebeu € 54 mil (R$ 157 mil) de indenização da empresa,
e esperava na fila do Inem para saber quanto teria de seguro-desemprego.
"Foram dois meses criminosos. Um dia, tive uma crise de ansiedade
no ônibus. Eu perguntava: 'O que vai acontecer comigo?'" Ela
paga € 800 de prestação de seu apartamento, mas espera
uma redução do valor da hipoteca em maio, com a queda do
valor dos imóveis depois da explosão da bolha imobiliária. O engenheiro informático
Mariano Jordí Camí Alén, de 56 anos, 36 de profissão
e 4 em seu último emprego, ia pedir ao Inem a antecipação
de todo o seguro-desemprego a que tem direito por dois anos, pouco mais
de € 20 mil, para abrir uma firma de informática. A situação
dos desempregados na Europa pode parecer confortável, quando comparada
a países como o Brasil, em que são abandonados à
própria sorte. Mas sua atitude em relação à
crise não é benevolente. "Fora com esse inútil
que está como primeiro-ministro", diz Alén. "Que
acabem com a máfia dos banqueiros e baixem os impostos." A crise afetou a popularidade
do primeiro-ministro José Luis Rodríguez Zapatero, reeleito
em março do ano passado, quando a desaceleração econômica
já dava os primeiros sinais. No início de 2008, Zapatero
recebia nota 5,8, numa escala de 0 a 10, na pesquisa de popularidade do
instituto Metroscopia. Em março desde ano, sua nota tinha caído
para 4,3. Preocupado, Zapatero substituiu na terça-feira os ministros
da Fazenda, do Fomento e da Saúde e Políticas Sociais. A situação
econômica é considerada "ruim" ou "muito ruim"
por 80% dos espanhóis, segundo pesquisa de março do Metroscopia.
Apenas 4% a consideram "boa" ou "muito boa" e 10%,
"regular". A situação vai piorar nos próximos
meses, na visão de 55% dos entrevistados; 11% acham que continuará
igual e 28%, que vai melhorar. Entretanto, num sinal de que a percepção
é pior que a realidade, quando se pergunta a eles como qualificam
a sua situação econômica, 46% dizem que é "muito
boa" ou "boa", 25%, que é "regular" e
23%, "ruim" ou "muito ruim". Copyright © O Estado de S. Paulo. Todos os direitos reservados |