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Gates
não botou fé na perestroika |
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LOURIVAL
SANTANNA |
Sexta-feira,
10 de novembro de 2006
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RIO "Ele acreditava
que a perestroika não era para valer, mas uma conspiração
para desarmar a América", recorda Edward Luttwak, especialista
em defesa e ex-consultor do Pentágono. "Ele foi a última
pessoa nos EUA a entender o que estava acontecendo. Isso está nos
arquivos públicos. Não sou eu que estou acusando. Como analista,
ele era sofrível", diz Luttwak, que participou ontem no Rio
de um encontro de estudos estratégicos promovido pela Escola de
Guerra Naval. "Entretanto,
como administrador, ele é muito competente", ressalva Luttwak,
integrante do grupo que incentivou a modernização das Forças
Armadas americanas, conduzida por Donald Rumsfeld, secretário de
Defesa até anteontem. "Bob Gates foi um administrador muito
bom da CIA." Para Luttwak, é o que basta: "O novo secretário
de Defesa só terá de administrar o desengajamento (do Iraque).
Ninguém está pedindo a ele que pense." Luttwak não acredita que, sob Gates, a comunidade de inteligência, que viveu às turras com o Pentágono nos últimos anos, terá mais influência sobre a área de defesa. "Temos diplomatas e militares competentes, não agentes de inteligência", diz o ácido analista, autor de Turbo-Capitalismo. "Nossa cultura é contra espionar. Ela não favorece a inteligência, e a nossa é terrível." Gates, de 63 anos,
entrou para a CIA em 1966. Sua carreira sofreu impulso depois que George
H. Bush, pai do atual presidente, e ex-diretor da central de inteligência,
assumiu o cargo de vice-presidente, em 1981. Em 1991, com Bush já
presidente, ele se tornou diretor da CIA. "Gates é uma prata
da casa da família Bush", diz Luttwak. "Precisamos de
alguém confiável? Chame o Gates." Copyright © O Estado de S. Paulo. Todos os direitos reservados |