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Obama
é eleito o primeiro presidente negro dos EUA |
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LOURIVAL
SANTANNA |
Quarta-feira,
5 de novembro de 2008
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PALM BEACH McCain apareceu diante de milhares de simpatizantes às 21h18 em Phoenix (2h18 em Brasília) para reconhecer a derrota. "O povo americano se posicionou claramente", disse ele, ao lado de sua candidata a vice, Sarah Palin. "Tive a honra de ligar há pouco para o senador Obama para felicitá-lo", continuou, elogiando a "habilidade e perseverança" do rival. Com a voz embargada, McCain exaltou o "especial significado" da vitória de Obama para os negros, e o "especial orgulho que eles sentem esta noite". Obama e os candidatos democratas a deputados e a senadores venceram em quase todos os seus redutos e ainda avançaram sobre antigos bastiões republicanos, ampliando os resultados de 2004. McCain, de 72 anos, herói da Guerra do Vietnã e senador há 26 anos, sofreu derrotas de alto valor simbólico. Segundo as projeções, ele perdeu em Ohio e Iowa, dois redutos conservadores do Meio-Oeste. Nenhum republicano foi eleito presidente sem vencer em Ohio. McCain foi derrotado também na Virgínia, onde um democrata não vencia desde 1964. Obama conquistou ainda a Pensilvânia, um Estado democrata que os republicanos consideravam crucial para sua vitória, pela qual McCain se engajou fortemente. O republicano também foi derrotado em New Hampshire, que conta com quatro votos, mas onde também fez um esforço pessoal extra para ganhar. Com exceção de Nebraska e Maine, todos os votos de cada Estado no Colégio Eleitoral - proporcionais à sua população - vão para o vencedor. A eleição de ontem foi marcada por um comparecimento recorde. E esse dado pode ajudar a explicar a vitória de Obama. Durante a campanha, os democratas conseguiram registrar o dobro de eleitores novos em comparação com os republicanos. A dúvida era se eles compareceriam para votar. Pesquisa de boca-de-urna realizada pela CNN mostrou que 72% dos eleitores que foram às urnas pela primeira vez votaram no candidato democrata. A crise econômica e sua relação com a impopularidade do presidente George W. Bush - que sofre de uma desaprovação de mais de 70% - podem ter sido centrais na eventual vitória democrata. Para 62% dos eleitores ouvidos pela boca-de-urna, a economia era a questão mais importante nessa eleição. O Iraque veio em segundo lugar distante: 10% dos eleitores o consideraram a questão principal. Desses, 64% votaram em Obama e 36%, em McCain, o que demonstra que o candidato republicano não se saiu bem em uma de suas principais bandeiras, a da segurança nacional, além de ela não ser tão decisiva nessa eleição. Outros 9% escolheram o terrorismo, outro tema-chave para McCain. Desses, 86% votaram em Obama, que prometeu retirar as tropas do Iraque e concentrar as forças no combate à Al-Qaeda e aos taleban no Afeganistão. O sistema de saúde foi a principal questão para outros 9% dos votantes. Obama prometeu criar um sistema público de saúde com adesão opcional, enquanto McCain ofereceu um crédito tributário de US$ 5 mil para famílias de baixa renda pagarem pelo convênio privado de sua escolha. Outro dado interessante
é que 52% dos eleitores com renda anual acima de US$ 100 mil votaram
em Obama; 47% escolheram McCain e 1%, outros candidatos. Copyright © O Estado de S. Paulo. Todos os direitos reservados |