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Candidatos
disputam votos dos 7% de indecisos na Flórida |
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LOURIVAL
SANTANNA |
Terça-feira,
4 de novembro de 2008
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TAMPA Depois de 22 meses
de campanha, Obama escolheu fazer um de seus últimos comícios
em Jacksonville, 520 km ao norte de Miami, para capitalizar sobre uma
declaração de McCain. "John McCain simplesmente não
entende", disse Obama, na Arena Memorial dos Veteranos, que tem capacidade
para 15 mil pessoas e estava lotada. "Lembram o que ele disse quando
estava aqui em Jacksonville em 15 de setembro? 'Os fundamentos de nossa
economia são fortes.' Naquele dia, mais de 5 mil empregos se perderam
e mais de 7 mil famílias foram despejadas de suas casas." Obama não citou
o restante da frase de McCain: "Esses são tempos muito difíceis.
Prometo que nunca colocaremos a América nessa posição
de novo." A multidão vaiou McCain e Obama, preocupado com
o comparecimento de seus eleitores, pediu: "Vocês não
têm que vaiar, só têm que votar." Ele reafirmou
a promessa de reduzir os impostos de 95% dos contribuintes, incluindo
"99,9% dos encanadores", numa referência a Joe, o Encanador,
que ficou famoso depois de fazer uma pergunta a Obama em Toledo, Ohio,
no dia 12, sobre sua proposta em relação aos impostos. O
candidato respondeu dizendo que era preciso "distribuir a riqueza",
um conceito rejeitado por muitos americanos e desde então muito
explorado pelos republicanos. "O senador Obama
quer ser redistribuidor-em-chefe", zombou ontem McCain no seu comício
do lado de fora do Estádio Raymond James, em Tampa, 340 km ao norte
de Miami. "Eu quero ser comandante-em-chefe." McCain continuou:
"Ele está concorrendo para distribuir a riqueza; eu, para
criar mais riqueza. Ele quer punir os bem-sucedidos; eu quero tornar todo
mundo bem-sucedido", completou McCain, cuja mulher, Cindy, é
a milionária herdeira de um império de distribuição
de cervejas no Arizona. "Ele acha que os impostos estão muito
baixos. Eu acho que os gastos estão muito altos." McCain respondeu às
tentativas dos democratas de o associarem ao presidente George W. Bush,
que sofre uma taxa de reprovação recorde, de mais de 70%.
"Não sou George Bush", disse ele sobre o colega de partido.
"Se o senador Obama queria concorrer com ele, deveria ter-se candidatado
há quatro anos." A multidão gritava "Nobama"
e "USA". Dentre os 1.381 presentes (segundo um policial que
registrava numa máquina de contagem cada um que passava), havia
apenas quatro negros, e muito poucos hispânicos. Atrás em
todas as pesquisas, o candidato republicano avisou, ao lado do popular
governador da Flórida, Charlie Crist: "Os analistas e os democratas
podem não saber, mas 'the Mac is back' (McCain está de volta)." Tanto McCain quanto
Obama vieram cortejar os votos dos 7% de indecisos da Flórida,
que podem consolidar a vitória democrata ou promover uma virada
republicana. Mas os que foram ouvir McCain em Tampa já chegaram
decididos. "McCain tem um histórico comprovado", disse
Joy Campa, de 52 anos, gerente de marketing de uma empresa. "Obama
é um mentiroso. Não se pode confiar nele. Ele disse uma
vez que, entre lutar pela América e pelo Islã, lutará
pelo Islã", afirmou Joy, repetindo uma das acusações
infundadas contra Obama. "McCain não
vai tolerar as pessoas que apóiam o terrorismo", disse Leslie
Zsumlic, professora aposentada. "Se Obama vencer, o país vai
ficar nas mãos dos democratas", acrescentou a massagista Patrícia
Zalatan. "Como ex-piloto, McCain é capaz de tomar decisões
rápidas", elogiou Edward Moore, de 64 anos, veterano da Força
Aérea no Vietnã. "Apóio McCain porque não
acredito em casamento gay e aborto", explicou Chris Holbrooke, de
43 anos, que tem uma empresa de construção. "Não
levo em conta a questão dos impostos. Qualquer um que se eleger
vai ter que aumentá-los, com a situação em que está
o país." Em meio ao ritmo frenético
da campanha, Obama cometeu uma gafe em Jacksonville. Ele se queixou da
propaganda negativa de McCain contra ele "aqui em Ohio". Quando
a multidão o lembrou de que estava na Flórida, Obama admitiu:
"Tenho viajado demais." Além da Flórida, Obama
esteve ontem na Carolina do Norte e na Virgínia. Nada comparável
com a jornada de McCain, que fez um comício em Miami à meia-noite
de domingo e outro em Tampa às 9h30, e planejava percorrer ontem
sete Estados, todos eles sob disputa acirrada. Copyright © O Estado de S. Paulo. Todos os direitos reservados |