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Americanos
tentam restaurar confiança nas eleições |
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LOURIVAL
SANTANNA |
Segunda-feira,
3 de novembro de 2008
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PALM BEACH Numa eleição que bateu o recorde histórico de voto antecipado, Priscila simboliza o desejo de muitos americanos de exercer o direito do voto, independentemente de seu candidato. Em Palm Beach, o ímpeto é ainda mais notável: a cidade, 120 km ao norte de Miami, foi o epicentro do terremoto eleitoral de 2000, com suas cédulas de cartão perfurado que confundiram os eleitores. Depois de duas recontagens
e uma decisão de 5 a 4 na Corte Suprema, o republicano George W.
Bush venceu o democrata Al Gore por escassos 537 votos no Estado, abrindo
caminho para sua vitória no Colégio Eleitoral. Num sinal da importância
da Flórida, tanto McCain quanto Obama fazem campanha hoje no Estado,
na véspera da eleição. Sarah Palin, vice de McCain,
e a senadora democrata Hillary Clinton fizeram campanha no Estado no sábado. Depois de oito anos
e de US$ 3 bilhões de investimentos na reforma do sistema de votação
no país todo, ele ainda gera problemas. Em agosto, uma eleição
para juiz do condado de Palm Beach foi tumultuada pelo sumiço de
cerca de 3.500 cédulas, quando a diferença entre os dois
candidatos era de apenas 60 votos. As cédulas acabaram sendo encontradas. Palm Beach está
no terceiro sistema de votação. As perfuradoras de cartões
deram lugar a computadores que geraram enormes desconfianças na
eleição presidencial de 2004 - também vencida por
Bush - porque não imprimiam comprovantes em caso de falha do sistema
e necessidade de recontagem. Agora, as cédulas de papel estão
de volta. Os eleitores devem ligar com uma caneta as duas extremidades
de uma flecha que aponta para o seu candidato. As cédulas são
depois escaneadas por computadores. "Não creio
que haverá problemas, porque está mais bem organizado desta
vez", avaliou o advogado Ben Greenberg, parte da força-tarefa
de 5 mil advogados e estudantes de direito na Flórida (450 só
no Condado de Palm Beach) que fiscalizam a votação para
o Partido Democrata. Os republicanos têm um décimo de advogados. "Esse sistema
é mais fácil", elogiou Susan Eshbach, de 54 anos, que
entrou na fila às 8h30 e votou às 12h30. Pela lei na Flórida,
a votação antecipada só pode realizar-se em cartórios
eleitorais. "Tive que enfrentar a fila hoje, porque na terça-feira
eu trabalho", explicou Susan, dona de um restaurante, No dia da eleição,
terça-feira, haverá seções também em
colégios e igrejas, potencialmente reduzindo as filas. Susan votou
em Barack Obama: "Precisamos de mudança. John McCain não
dá conta, e não suporto Sarah Palin. Ela devia ficar em
casa cuidando da casa e dos filhos." "Não temos
escolha", resigna-se Kate Tannock, de 46 anos. "Acreditando
ou não no sistema, é o único que temos", completou
Kate, que na terça-feira tem aula num curso de auxiliar médica.
"Votei em McCain e Palin porque são contra o aborto." "Estou restaurando
minha fé no sistema, que foi abalada em 2000", disse Kenneth
Powell, um negro de 50 anos, dono de uma empresa de limpeza com seis funcionários.
"Por isso estou aqui. Vou votar em Obama, porque ele vai diminuir
os impostos para a classe média." Em geral, os eleitores
republicanos são mais otimistas quanto ao sistema. É o caso
de José Díaz, um cubano de 47 anos, há 27 nos EUA,
dono de uma pequena empresa de jardinagem. "Pode haver problemas,
mas eles vão sendo corrigidos", disse Díaz. "O
importante é que aqui se pode votar livremente, ao contrário
de Cuba." Copyright © O Estado de S. Paulo. Todos os direitos reservados |