|
A América em movimento |
|
|
LOURIVAL
SANTANNA |
Domingo,
2 de novembro de 2008
|
|
PHOENIX De um lado, o fenômeno Obama reflete mudanças demográficas. Profissionais de alta escolaridade estão deixando as costas Leste e Oeste em busca de melhores salários, menos impostos e educação mais barata para seus filhos. Esse fluxo transfigura antigos redutos conservadores. O crescimento econômico dessas regiões - incluindo o Arizona, de John McCain, que atrai empresas de alta tecnologia com incentivos - traz consigo imigrantes latinos que se empregam no setor de serviços. Ambos os grupos tendem
mais a votar nos democratas, analisa John Garcia, cientista político
da Universidade do Arizona. No sistema americano de eleição
presidencial por colégio eleitoral, essas mudanças podem
ter impacto político decisivo. Na Flórida, uma nova geração
de cubanos-americanos se inclina a favor de uma mudança na política
dos EUA para Cuba. Junte-se a isso o
fato de que os republicanos têm perdido suas bandeiras: a do partido
do imposto baixo, com o rombo orçamentário causado pelo
governo Bush e com a promessa de Obama de diminuir os tributos de 95%
das famílias americanas; a do domínio sobre temas de segurança
nacional, com o desastre do Iraque; a da competência gerencial,
com a tragédia do Furacão Katrina, em 2005. "É
mais um 'não' aos republicanos que um 'sim' aos democratas",
avalia Harwood McClerking, cientista político da Universidade de
Ohio. Afinal, os EUA estão se tornando menos conservadores e mais liberais (no sentido americano)? O Estado percorreu o país, em busca de respostas. Elas são múltiplas, numa América diversa, e em movimento. Copyright © O Estado de S. Paulo. Todos os direitos reservados |