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Vizinho de McCain vota em Obama |
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LOURIVAL
SANTANNA |
Domingo,
2 de novembro de 2008
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PHOENIX O fato de McCain não
conseguir conquistar o voto nem de seu vizinho não tem nenhuma
importância eleitoral, no universo de 130 milhões de eleitores
americanos. Mas é uma metáfora das dificuldades que o senador
republicano enfrenta nesta corrida presidencial. Nem mesmo no seu Estado,
Arizona, as coisas andam fáceis para ele. Sua vantagem sobre Obama
vem encolhendo a cada pesquisa. Em 11 de setembro, McCain batia Obama
no Arizona por 56% a 39%; no dia 29, a vantagem caíra para 59%
a 38%. Neste mês, ela continuou se estreitando: no dia 26 já
estava em 51% a 46% e no dia 28, 48% a 44%. Em 2004, o presidente George
Bush derrotou facilmente o democrata John Kerry no Arizona, por 55% a
44%. Isso não é tudo. O Arizona tem oito cadeiras na Câmara
dos Deputados. Hoje, quatro são de republicanos e quatro de democratas.
Nessas eleições, têm boas chances de ficar com cinco. "O fato de McCain
ser do Arizona não implica necessariamente que ele tenha mais apoio
aqui", explica o cientista político John Garcia, especialista
em eleições da Universidade do Arizona em Tucson. "Como
senador, ele se ausenta muito daqui, tem-se dedicado mais a temas globais
e ainda por cima é contra emendas orçamentárias,
que são as que trazem estradas e obras para os Estados." As razões para
o apoio ao candidato democrata são variadas. "Obama tem propostas
mais bem articuladas, e todo mundo está cansado de Bush",
diz Mary, uma administradora de empresas de 47 anos, que também
pede para não se identificar. "McCain não delineou
bem a diferença entre ele e Bush." Eric Williams, de 20 anos, trabalha num hotel vizinho ao prédio de luxo onde mora McCain, e também vai votar em Obama. "Acredito que se McCain vencesse o país teria sua reputação internacional completamente destruída", diz Williams, que estuda de relações internacionais. "Barack defende
a mudança", continua ele, chamando Obama pelo primeiro nome,
como fazem muitos de seus eleitores. "Ele acredita num sistema público
de saúde, sem querer socializar completamente a saúde. Ele
é altruísta, enquanto McCain é completamente egoísta."
A dez quadras dali, Glenn Sharko, um dono de bufê de festas de 35 anos, enfrenta o sol desértico do Arizona de pé numa esquina, segurando cartazes para alertar os eleitores exatamente contra essas bandeiras. "Obama quer promover uma revolução que destruirá a ordem social cristã, com práticas como aborto, pornografia e controle de natalidade", diz Sharko, um católico militante admirador da entidade brasileira Tradição, Família e Propriedade. "Ele vai encher a Corte Suprema de juízes liberais anticristãos." Sharko reconhece que as pesquisas não favorecem seu candidato. "Se McCain vencer,
será um milagre, providência de Jesus e da Imaculada Conceição." Nem todas as minorias
estão alinhadas com Obama. "Prefiro McCain por causa da sua
experiência de guerra, porque é mais conhecido no mundo",
afirma Carlo Pablo, um indígena de 28 anos que trabalha numa escola
para nativos americanos e votou no democrata John Kerry em 2004. "Alguém
que sempre foi fazendeiro não pode ser chefe de cozinha e quem
sempre foi repórter não pode se tornar editor-executivo",
exemplifica ele. "Obama não tem experiência para ser
presidente." Mas o sobrenome de Pablo foi grafado errado no cartório
eleitoral, como Padlo, e ele não poderá votar. McCain anda
mesmo com pouca sorte no Arizona. Copyright © O Estado de S. Paulo. Todos os direitos reservados |
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