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Conservadores de Iowa trocam de lado |
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LOURIVAL
SANTANNA |
Domingo,
2 de novembro de 2008
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IOWA CITY Aqui, a principal
explicação está no milho, cujas plantações
dominam monotonamente a paisagem do Estado. Mais precisamente, no derivado
que provocou um novo boom no setor agrícola dos EUA: o etanol.
"Gostamos de Obama, porque ele quer desenvolver os biocombustíveis
e isso gera mais confiança na indústria", explica Michael
Ott, diretor-executivo da Biowa, que desenvolve tecnologia e planos de
negócio para a produção de etanol a partir da planta
do milho, de resíduos de madeira e de lixo. Obama estabeleceu como
meta "eliminar a dependência do petróleo do Oriente
Médio em dez anos" e prometeu US$ 150 bilhões de investimentos
em fontes alternativas de energia. John McCain, ao contrário,
quer eliminar os subsídios para o etanol, atualmente de R$ 0,27
por litro (em janeiro, cairá para R$ 0,24). Além disso,
os produtores recebem entre R$ 12 e R$ 16 por hectare plantado de milho
e soja. Isso porque os preços dos grãos estão altos.
Quando caem, os subsídios aumentam. Não é que McCain
não acredite em subsídios. Em vez dos biocombustíveis,
ele quer subsidiar a energia nuclear e construir 45 novas usinas, além
das 104 já existentes nos EUA. "Antes eu era
republicano, agora me considero independente", diz Ed Williams, de
60 anos, que tem uma fazenda de 121 hectares no leste de Iowa, onde sua
família se instalou há cinco gerações, em
1853. "O pai de Bush era mais razoável", compara Williams,
que, no entanto, votou no atual presidente nas duas eleições.
"Como fazendeiro, prefiro Obama por causa dos subsídios, mas
esse não é o único motivo. Podemos liderar o mundo,
mas não dominá-lo. Não podemos mais sustentar essas
guerras." Russell Miller, de
64 anos, também sempre foi republicano, como a maioria dos fazendeiros
de Iowa, e votou em Bush em 2000 e em 2004. Mas agora está entre
Obama e não votar em ninguém. "Parece que McCain seguiu
um bocado as idéias de Bush. E agora olhe como estamos", critica
Miller, que produz ovos e tem 73 hectares arrendados para cultivo de milho
e criação de porcos. "Os preços dos combustíveis
finalmente começaram a baixar, mas a economia está uma bagunça."
A guerra também o incomoda. "Devíamos estar fora do
Iraque há muito tempo", diz Miller, cuja filha de 40 anos
acaba de entrar para a reserva, depois de servir na Marinha, por dois
períodos no Iraque. "Os militares passaram por maus pedaços
e sinto muito por eles. Não é certo tanta gente morrendo." Claro que essa continua
sendo uma região profundamente conservadora, e para muitos isso
fala mais alto que a guerra, os subsídios ou os problemas econômicos.
"Sou bastante conservador", diz David Schmidt, de 60 anos, que
tem 113 hectares de milho e soja e outros 607 arrendados. "Não
creio que aumentar os programas sociais seja a solução.
Gostaria de ver menos governo, e não mais." "Não concordo
com McCain em muitas questões, como por exemplo em relação
às fontes renováveis de energia", admite Schmidt, enquanto
opera uma imensa colheitadeira, que varre o milharal e já despeja
grãos de milho num caminhão. "Preferiria viver sem
subsídios. Mas o governo tem intervindo na agricultura por tanto
tempo que não pode simplesmente sair de uma hora para a outra.
Mesmo que McCain ganhe não poderá mudar isso." Numa parcela dos eleitores,
McCain perde votos por não ser suficientemente conservador. "Meu
cavalo está fora do páreo", diz Roy Dwitt, um torneiro
mecânico de 29 anos, filiado ao Partido Republicano, que não
sabe se votará em McCain ou em ninguém. "Gosto das
posições de Mike Huckabee", explica ele, referindo-se
ao ultraconservador ex-pastor batista e ex-governador do Arkansas derrotado
nas primárias republicanas. "Ele tem idéias firmes,
não fica indo e voltando." Copyright © O Estado de S. Paulo. Todos os direitos reservados |
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