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Latinos decidem em 4 Estados |
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LOURIVAL
SANTANNA |
Domingo,
2 de novembro de 2008
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MIAMI Esse é um dos
principais motivos pelos quais Mon apóia Barack Obama. "Ele
está mais disposto a dialogar com Cuba, e isso é bom",
diz o cubano, que trabalha como eletricista para uma rede de supermercados
em Miami. Mon faz parte de uma nova geração de cubanos na
Flórida, que já está nos Estados Unidos tempo suficiente
para votar, mas não o bastante para ter perdido seus laços
com Cuba. A primeira geração de cubanos, que vieram crianças
com os pais logo depois da Revolução de 1959, que lhes confiscou
o patrimônio, fincou suas raízes nos Estados Unidos, nutre
um ódio visceral por tudo o que se aproxime da esquerda e forma
o núcleo duro de fiéis eleitores do Partido Republicano
na Flórida. "Existem mudanças
que são para melhor e outras para pior", pondera Josefina
Cortón, uma dona de confecção de 53 anos, que veio
para os EUA em 1966. "A Revolução Cubana foi uma mudança
que destruiu o país. Não nascemos iguais. Sempre uns vão
ter mais, outros menos", diz Josefina, que sempre votou nos republicanos,
e dessa vez não fará diferente. "John McCain tomará
decisões com cuidado", continua ela, referindo-se às
relações com Cuba. "Para que dialogar com um inimigo
que só quer prejudicá-lo? Não se pode confiar num
inimigo comunista." Mas nem todos os cubanos
da primeira geração seguem pensando como Josefina. "Sempre
fui republicano, quase todos os cubanos são republicanos",
diz Manfredo Lee, contador aposentado de 64 anos, há 47 nos Estados
Unidos. "Mas George W. Bush foi um desastre para este país,
sobretudo na economia", diz Lee, que pretende votar em Obama. "Além
do mais, levamos 50 anos com essa política em relação
a Cuba, e não deu resultado. Não se perde nada conversando." Segundo pesquisa feita
em setembro pela Associação Nacional de Funcionários
Latinos Eleitos e Nomeados (Naleo), 38% dos latinos na Flórida
apoiavam McCain e 35%, Obama. Dos 130 milhões de eleitores americanos,
12 milhões são hoje latinos (de uma parcela de 45 milhões
que moram nos EUA). Em 2004, eram 9 milhões. O voto latino tem
papel importante em quatro Estados em que a disputa entre republicanos
e democratas é acirrada: Flórida, Colorado, Novo México
e Nevada, que somam, juntos, 46 dos 538 votos do Colégio Eleitoral.
Mas a Flórida concentra mais da metade: 27. Segundo a pesquisa
da Naleo, Obama vence McCain por 63% a 15% no Colorado, 61% a 20% no Novo
México e 55% a 14% em Nevada. "Em geral, os latinos preferem
os democratas numa relação de dois para um", observa
o cientista político John Garcia, da Universidade do Arizona. "Os
republicanos têm atitude mais hostil em relação à
imigração." Em 2000, depois da
recontagem dramática de votos na Flórida, que terminou na
Corte Suprema, Bush venceu o democrata Al Gore por 537 votos, ou 0,009%
do total no Estado. Há quatro anos, o presidente derrotou John
Kerry por 52% a 47%. Obama se mantém com pequena margem na frente
de McCain: 51% a 47%, tanto segundo o Instituto Rasmussen quanto sondagem
da CNN e revista Time. Pesquisa do Instituto Zobgy indica empate entre
os dois, em 47%. Copyright © O Estado de S. Paulo. Todos os direitos reservados |
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