Militares admiram o 'herói' republicano

LOURIVAL SANT’ANNA
Enviado especial

Domingo, 2 de novembro de 2008

FAYETTEVILLE
Fayetteville, na Carolina do Norte, é aonde se pode chegar mais perto da guerra nos Estados Unidos. Aqui, em vez de automóveis, os caminhões-cegonha cruzam a cidade transportando Humvees, os jipes usados pelo Exército americano. Pelo pequeno aeroporto de Fayetteville, classificado em alerta laranja (o segundo nível mais elevado) contra ataques terroristas, transitam militares de todas as Forças, indo ou voltando de missões no Iraque e no Afeganistão. A cidade de 210 mil habitantes abriga o Fort Bragg, a maior base militar do país, com 65 mil soldados. Com o compromisso de não revelar seus nomes, já que eles não podem falar de política, o Estado colheu as opiniões dos veteranos e dos que estão partindo para a guerra.

"Acho que o país precisa de mudança", diz um sargento do Exército de 43 anos, usando a palavra-chave da campanha de Obama, como ele negro e de Chicago. "Por razões domésticas, não por causa da guerra no Iraque", explica o sargento, de partida para o Afeganistão.

Outro sargento negro de 33 anos, que está voltando do Iraque, onde um amigo foi morto, também votará em Obama. O sargento, que vive na Carolina do Sul, acredita que Obama seja "mais sensível" à situação das famílias dos militares mortos em combate, Elas recebem indenizações que vão de US$ 400 mil a US$ 500 mil, mas isso não é suficiente, acredita ele. "Eu me preocupo que o filho de um ano do meu amigo possa ir para uma universidade boa", diz ele. "Este país precisa de mudança, investir mais em educação, ter um sistema de saúde decente e ajudar os sem-teto", enumera o sargento. "Acho que cada candidato pertence a uma geração. Obama pertence à minha."

De acordo com a Coalizão de Contagem de Baixas do Iraque, 4.188 militares americanos foram mortos no Iraque. Até agora, 1,6 milhão de militares serviram no Iraque e no Afeganistão, dos quais 540 mil por mais de uma vez.

Preocupações semelhantes podem levar a conclusões diferentes. "Vou votar em McCain porque ele foi militar, apóia-nos e entende melhor a situação em que estamos", diz um soldado do Exército de 20 anos, que será enviado no ano que vem, não sabe se para o Iraque ou para o Afeganistão. "Obama é uma pessoa boa, fala muito bem", pondera o soldado, um texano de origem latina. "Se nas próximas eleições ele for candidato e não estivermos mais em guerra, votarei nele."
"A maioria dos militares apóia McCain", assegura um comandante da Marinha, de partida para o Afeganistão. "Ele é veterano do Vietnã, herói de guerra e, além disso, os militares em geral são conservadores." O comandante não partilha da idéia de que a guerra do Iraque foi desnecessária.

"Estamos orgulhosos de nossas realizações no Iraque", diz o militar branco, enquanto olha uma foto da filha de quatro anos e do filho de três, em seu notebook. "A situação está muito melhor agora." De qualquer forma, acrescenta o militar, "seguimos nosso comandante-em-chefe, seja ele Bush, Obama ou McCain".

Com um aparelho ortopédico no joelho direito, ferido no Iraque, um sargento branco do Tennessee de 31 anos brinca com sua filha de 3 num shopping center de Fayetteville. "Ainda não pude fazer uma pesquisa e não sei a respeito de outras áreas", admite o sargento. "Mas levo em conta o fato de que McCain é ex-militar."

Nem todos os militares priorizam esse aspecto. "Para mim, o importante é encontrar alguém que seja capaz de arrumar a economia", diz um sargento de 27 anos, de origem latina, casado com uma filha de quatro anos. "Ainda não sei qual dos dois é capaz. Eles me parecem muito próximos", continuou o militar. "Se Hillary Clinton fosse candidata, definitivamente eu votaria nela."

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