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Questão
racial ameaça mais a eleição do que a vida de Obama |
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LOURIVAL
SANTANNA |
Quarta-feira,
29 de outubro de 2008
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COLUMBUS, EUA O FBI informou na
segunda-feira ter prendido no Tennessee dois homens brancos que planejavam
matar 88 negros, antes de disparar contra Obama, de dentro de um carro,
vestidos com capuzes e túnicas brancos, como os usados no passado
pelo grupo racista Ku Klux Klan. Eles portavam duas pistolas e dois fuzis.
Em agosto, durante a convenção democrata em Denver (Colorado),
três homens brancos também foram presos com dois fuzis com
mira telescópica, 80 balas, um colete à prova de balas,
walkie-talkies e dezenas de gramas de metanfetamina. Eles disseram que
planejavam matar Obama porque eram contra a eleição de um
negro para a presidência. A integridade física
de Obama, fortemente protegido pelo serviço secreto americano,
pode não correr risco, mas a sua eleição, sim, mesmo
com a vantagem de que ele usufrui nas urnas. "A raça de Obama
certamente o prejudica", diz o cientista político Harwood
McClerking, especialista em eleições da Universidade do
Estado de Ohio em Columbus (capital). "As pessoas não falam
disso porque o racismo não é socialmente aceito", diz
McClerking, que é negro. "Mas ao mesmo tempo levam a raça
em consideração, ao tomar suas decisões. Justificam
dizendo que um político negro é liberal demais ou incompetente." A resistência
em admitir em público o preconceito pode distorcer os resultados
das sondagens. O caso clássico, freqüentemente citado nessa
campanha, é o do democrata negro Tom Bradley, candidato a governador
da Califórnia em 1982, que perdeu a eleição apesar
de estar na frente nas pesquisas. Sondagem feita para
The New York Times e CBS entre os dias 19 e 22 mostra que Obama tem mais
apoio entre os brancos (45%) do que o candidato democrata em 2004, o branco
John Kerry (41%). Entre os negros, o apoio é praticamente o mesmo:
88% votaram em Kerry e 89% dizem que votarão em Obama. Mas em geral
Obama tem mais apoio do que teve Kerry. Segundo a sondagem,
70% dos democratas apóiam o candidato negro, enquanto 85% dos republicanos
votarão por McCain. Pesquisas de boca-de-urna com delegados democratas
durante as primárias mostraram que 55% dos brancos votaram na senadora
Hillary Clinton e 39%, em Obama. Entre os delegados latinos, Hillary venceu
por 58% a 39%; entre os asiáticos, por 71% a 25%. Em compensação,
82% dos negros votaram em Obama e 16%, em Hillary. Mas os negros representam
apenas 13% da população americana. Copyright © O Estado de S. Paulo. Todos os direitos reservados |