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A
uma semana da eleição, Obama e McCain disputam Ohio |
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LOURIVAL
SANTANNA |
Terça-feira,
28 de outubro de 2008
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CANTON, EUA No que os assessores
de Obama classificaram como "os argumentos finais" da campanha,
o senador democrata lotou ontem o Civic Memorial Center, um ginásio
com capacidade para 5 mil pessoas em Canton. Na mesma cidade, o ex-presidente
democrata John Kennedy, com quem Obama procura identificar-se, realizou
um de seus últimos comícios antes da vitória, em
1960. Como sempre, Obama
eletrizou seus simpatizantes com seu carisma e retórica. "A
parte de que mais gostei foi quando ele disse que levará a mudança
para todos nós, democratas e republicanos, ricos, pobres e deficientes",
disse Lovie Armstead, uma negra de 30 anos que trabalha como recepcionista
no Stark State College of Technology. "Adoro a maneira como ele mexe
com o coração de todos os presentes", elogiou a advogada
Janet Schwartz, uma loira de 55 anos. "Todos sabemos
que a América está fraturada, e não pode sobreviver
dessa maneira, mas Obama é capaz de expressar isso como ninguém",
disse Eric Resnick, um homossexual de 45 anos. Resnick disse que teme,
no entanto, o fator racial nessas eleições. "Estive
fazendo campanha no fim de semana em bairros operários em Columbus
(capital de Ohio, 200 km a sudoeste de Canton), e senti que a raça
é um grande obstáculo." "Obama deixou
claro que essa eleição não é dele, mas de
todos", observou Joyce Healy-Abrams, irmã do prefeito de Canton,
William Healy, apenas o segundo democrata a administrar a cidade em 40
anos. "Ele transmite uma humildade natural." No discurso de 40
minutos de ontem, Obama, que tem 8 pontos de vantagem na média
das pesquisas nacionais segundo o site USA Election Polls, deixou transparecer
sua preocupação com um espírito de "já
ganhou" entre os seus eleitores. "Não pensem por um minuto
que o poder cede", disse ele. "Temos muito trabalho para fazer.
Temos que trabalhar como se nosso futuro dependesse dessa semana." "O senador McCain
disse que não podemos passar os próximos quarto anos esperando
nossa sorte mudar, mas vocês entendem que a aposta mais arriscada
que podemos fazer é abraçar as mesmas velhas políticas
de Bush e McCain que nos levaram ao fracasso nos últimos oito anos",
argumentou o senador de 47 anos. A 100 km dali, em
Cleveland, diante de uma platéia bem mais modesta - cerca de 100
pessoas -, McCain contra-atacou, advertindo para o "perigo"
de eleger um presidente democrata e ao mesmo tempo dar maioria absoluta
no Senado ao partido, que já preside a Câmara dos Deputados.
As projeções indicam que os democratas poderão atingir
cerca de 60 cadeiras no Senado, o que lhes permitiria evitar obstruções
de votações por parte dos republicanos. Segundo McCain, os
democratas aumentariam os impostos para custear seus programas sociais.
Obama voltou a afirmar ontem que não pretende elevar os impostos
da classe média. Segundo ele, quem ganha abaixo de US$ 250 mil
não sofrerá aumento de impostos. McCain, de 72 anos, voltou
a explorar a declaração de Obama, num comício em
Toledo, Ohio, de que seria preciso "distribuir a riqueza", um
conceito pouco palatável para um grande número de americanos. "Obama acredita
em redistribuir a riqueza, não em políticas para nossa economia
crescer e gerar empregos", disse McCain num comício em Dayton,
também em Ohio. "Ambos discordamos da política econômica
do presidente Bush", assinalou McCain, procurando distanciar-se do
presidente, desaprovado por 70% dos americanos. "A diferença
é que ele (Obama) acha que os impostos estão baixos, e eu
acho que os gastos estão altos". McCain também
explorou uma declaração feita por Obama em 2001 na Rádio
Pública de Chicago, em que ele observou que a Suprema Corte "nunca
se aventurou nas questões de redistribuição de riqueza
e temas mais básicos de justiça política e econômica
nesta sociedade". Obama, na época senador estadual em Illinois,
fazia uma crítica aos movimentos sociais, por terem insistido em
atuar no âmbito da Suprema Corte. A gravação foi reproduzida
ontem por programas de rádio conservadores em Ohio, como "prova"
não só das tendências "marxistas" de Obama,
professor de direito constitucional, mas também de seu desapego
pelas instituições americanas. De Ohio, tanto Obama
quanto McCain seguiram para a Pensilvânia, onde o democrata lidera
as pesquisas por 51% a 41%, segundo a média da CNN. Copyright © O Estado de S. Paulo. Todos os direitos reservados |