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Hillary
tenta unir partido em torno de Obama |
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LOURIVAL
SANTANNA |
Terça-feira,
26 de agosto de 2008
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DENVER, EUA Um novo comercial
de McCain na televisão mostra simpatizantes de Hillary dizendo
que vão votar no republicano e que ela deveria ser a candidata
a vice, e não o senador Joe Biden. "Eu vi aqueles comerciais",
disse ontem Hillary num encontro com democratas hispânicos no primeiro
dia da convenção, em Denver. "Eu sou Hillary Clinton
e não aprovo essa mensagem", assegurou ela, enquanto alguns
militantes gritavam "unidade" e outros entoavam o seu nome.
"Os Clintons
amam este país e amam o Partido Democrata", disse Obama num
comício em Davenport, Iowa. "Eles participarão ativamente
da nossa campanha." Ele admitiu, no entanto: "Teremos de trabalhar
duro para convencer alguns dos que apóiam a senadora Clinton a
embarcar (na nossa campanha) - mas isso não é surpresa." Segundo sondagem do
Instituto Gallup publicada ontem pelo jornal USA Today, 30% dos filiados
democratas que votaram em Hillary nas primárias votarão
nas eleições em McCain, em outro candidato (que não
Obama) ou em ninguém; 47% têm certeza de que votarão
em Obama e 23% o apóiam no momento, mas admitem que poderão
mudar de idéia. Já uma pesquisa
feita para o jornal The New York Times e a rede de TV CBS com delegados
democratas partidários de Hillary indica que 42% votarão
por ela na convenção; 43%, por Obama e 15% não haviam
decidido ainda. Num ritual que Hillary qualificou como "catarse",
para seus 1.640 delegados (de um total de 4.439) demonstrarem sua força
no partido, ela deverá apresentar seu nome na convenção,
numa primeira votação, e depois pedir o apoio de seus militantes
para Obama, no sufrágio definitivo que o nomeará candidato
do partido. "Como superdelegada, votarei em Obama", garantiu
(além dos delegados eleitos nas primárias, dirigentes do
partido votam como "superdelegados"). A primeira pesquisa
depois da escolha de Biden para a chapa de Obama, feita pela Opinion Research
Corp. para a CNN, mostra o impacto da divisão democrata nas chances
do candidato do partido. Obama, que antes liderava as pesquisas por três
a cinco pontos porcentuais, aparece empatado com McCain, com 47% das intenções
de voto. A fatia de simpatizantes de Hillary que dizem que votarão
em McCain aumentou 11 pontos porcentuais desde junho - praticamente a
margem de votos obtida por McCain para empatar com Obama. Nos corredores do
Centro de Convenções, os "clintonistas" procuravam
ontem lidar com suas frustrações. "Sou mulher, e naturalmente
temos sido colocadas de lado por muitos anos", lamentou Vanessa Frazier,
uma negra de 47 anos, delegada de Hillary por Missouri. "Temos de
seguir adiante. Somos fortes", continuou Vanessa, diretora-executiva
da Child Development, entidade de assistência a crianças
em Howard, no sudeste do Estado. "Estamos aqui para encorajar Hillary."
Depois da primeira votação, no entanto, ela garante: "Meu
voto para Obama já está na urna." "Alguns democratas
estão devastados e poderão não votar em Obama, mas
acho que a maioria vai se sentir melhor até o dia das eleições
e vai querer que o partido vença", acrescentou Vanessa. "Estou
muito orgulhosa de ser uma delegada de Hillary, mas como minha candidata
não venceu, estarei muito orgulhosa em votar em Obama", declarou
Melanie Shakarian, delegada por Ohio. "Obama tem propostas na área
de saúde, educação e pobreza alinhadas com os valores
centrais democratas", avalia Melanie, diretora da Legal Aid Society,
que oferece assistência jurídica em Cleveland. "Na nossa delegação
há muitos delegados de Clinton que apóiam fortemente Obama",
assegurou o advogado Wayne Dowby, de 65 anos, de McComb, Mississipi, delegado
de Obama. "Eles sabem que há muita coisa em jogo. Os americanos
estão muito preocupados com os problemas enormes herdados pela
administração Bush, como o gigantesco déficit público
e a perda de prestígio dos Estados Unidos no mundo. Eles não
querem mais quatro anos das mesmas políticas." Copyright © O Estado de S. Paulo. Todos os direitos reservados |