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Discurso
de Obama abre fase das propostas concretas de governo |
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LOURIVAL
SANTANNA |
Sexta-feira,
29 de agosto de 2008
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DENVER A expectativa era
de que Obama apresentasse propostas concretas de governo, depois de uma
campanha nas primárias concentrada numa mensagem vaga de mudança.
Obama também tinha diante de si o desafio de unir o partido, profundamente
dividido pela disputa feroz entre ele e a senadora Hillary Clinton pela
candidatura. Na noite de terça-feira, Hillary fez um eloqüente
discurso de apoio à candidatura de Obama e de chamado à
unidade do partido para enfrentar o republicano John McCain - cuja candidatura
foi definida nas primárias bem antes que a de Obama - na eleição
de 4 de novembro. Mesmo assim, muitos
delegados resistiram ao apelo de Hillary para que apoiassem Obama. Na
tarde de quarta-feira, durante a votação para o candidato
democrata, quando Obama tinha 1.549 votos e Hillary, 341, a senadora interveio
e pediu que seu adversário fosse nomeado por aclamação.
Na noite de quarta-feira,
o ex-presidente demonstrou ter mudado inteiramente de opinião.
Clinton lembrou no discurso que, quando foi candidato a presidente pela
primeira vez, em 1992, disseram que ele era "jovem e inexperiente
demais" para ser comandante-em-chefe das Forças Armadas. "Isso
soa familiar?", perguntou Clinton, referindo-se a críticas
semelhantes dirigidas a Obama, de 47 anos, em seu primeiro mandato no
Senado Federal. "Não funcionou em 1992, porque estávamos
do lado certo da história. E não funcionará em 2008,
porque Barack Obama está do lado certo da história." Clinton ressaltou
que falava na condição de quem ocupou o cargo - o único
democrata vivo nessa condição, além de Jimmy Carter.
"Tudo que aprendi nos meus oito anos de presidente e no trabalho
que fiz desde então, na América e no mundo, convenceu-me
de que Barack Obama é o homem para este trabalho", disse Clinton,
enquanto a platéia de 20 mil pessoas do ginásio Pepsi Center,
sede da convenção, agitava bandeiras dos Estados Unidos
(a organização da convenção distribui cartazes
de acordo com cada circunstância). Clinton também
fez um elogio emocionado do candidato a vice na chapa de Obama: "Eu
amo Joe Biden, e a América o amará também",
disse ele, logo no começo do discurso. A declaração
é significativa, na medida em que Hillary acalentou a expectativa
de ser a vice de Obama, depois de desistir da disputa das primárias,
no dia 7 de junho. A senadora havia então obtido 1.896 delegados,
enquanto Obama já tinha 2.201 (são necessários 2.210). Biden, também
senador, discursou mais tarde, e retribuiu os elogios a Clinton e a Hillary
- que chamou de "uma das grandes líderes do partido, que fez
história e continuará a fazer". Com 65 anos, Biden
foi indicado vice na chapa de Obama com o evidente propósito de
compensar a falta de experiência do primeiro candidato a presidente
negro de um grande partido na história dos EUA. Ele é senador
há 36 anos e membro do Comitê de Relações Exteriores
do Senado há duas décadas. E lembrou que Obama,
depois de se formar em direito na Universidade de Columbia (Nova York),
em 1983, em vez de seguir carreira em Wall Street, foi para Chicago trabalhar
com desempregados de uma siderúrgica fechada. Em 1991, Obama concluiu
uma pós-graduação na prestigiada Universidade de
Harvard (Massachusetts), e voltou para Chicago para trabalhar como advogado
especializado em direitos humanos e professor de direito constitucional. Copyright © O Estado de S. Paulo. Todos os direitos reservados |