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Convenção
une democratas e fortalece nome de Obama |
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LOURIVAL
SANTANNA |
Domingo,
31 de agosto de 2008
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DENVER "Sem dúvida,
Obama saiu mais forte da convenção", afirma John Della
Volpe, diretor de pesquisas de opinião do Instituto de Política
da Universidade Harvard. Para ele, Obama tinha quatro objetivos nessa
convenção, e atingiu todos: apresentar aos americanos sua
mulher, Michelle; reconciliar-se com Bill e Hillary Clinton, depois da
renhida disputa nas primárias; demonstrar as diferenças
entre o governo de George W. Bush e as propostas democratas, particularmente
na economia, repleta de problemas; e retratar-se como alguém preparado
para ser comandante-chefe das Forças Armadas. "Obama saiu muito
mais forte depois de seu discurso da noite de quinta-feira e também
depois dos discursos de Bill e de Hillary Clinton", confirma o analista
político Jerry Hagstrom, do National Journal, que acompanhou a
convenção em Denver. "Os Clintons fizeram tudo o que
podiam para transferir os eleitores de Hillary para Obama." Ele ressalva
que mulheres desapontadas por Hillary não ter sido escolhida vice
e trabalhadores ainda resistem ao candidato. Ao longo da semana,
desfilaram na convenção pessoas comuns e políticos
dando seu testemunho em favor de Obama, de 47 anos. Uma mulher de Illinois,
o Estado pelo qual ele é senador, lembrou como Obama a encorajou
a terminar a faculdade. Senadores que viajaram com Obama ao Afeganistão
e ao Iraque atestaram que os militares, ao vê-lo, "reconheceram
nele um líder e um comandante-chefe". De resto, relatos de
seu trabalho como líder de uma comunidade pobre em Chicago e das
leis que ajudou a aprovar primeiro como senador estadual, depois como
senador federal em primeiro mandato. Para um observador
neutro, podem parecer histórias triviais demais para alguém
que quer ser presidente da maior potência do mundo. "Concordo
que alguns desses testemunhos são tolos", admite Hagstrom.
"E é verdade que ele não tem tanta experiência.
Mas com certeza tem mais que Sarah Palin", compara, referindo-se
à governadora do Alasca, de 44 anos, escolhida vice do candidato
republicano, John McCain, que completou 72 anos na sexta-feira. "E
Joe Biden (o vice de Obama, de 65 anos, 36 deles no Senado) contrabalança
com sua enorme experiência." Para Della Volpe,
o aval de Clinton, presidente por oito anos, foi valioso para Obama em
seu esforço de qualificar-se aos olhos dos eleitores como comandante-chefe.
"Clinton lembrou que esteve na mesma posição de Obama
na eleição de 1992, de um desconhecido governador do Arkansas",
recorda. "As campanhas mudam algumas pessoas para melhor e outras
para pior. Estamos vendo alguém amadurecendo diante de nossos olhos." A convenção
colocou em evidência para milhões de telespectadores os pontos
fortes de Obama. "Ele atrai os jovens por personificar a mudança
e os brancos porque não expressa a raiva que muitos afro-americanos
sentem", analisa Hagstrom. Filho de pai negro - com quem não
conviveu - e de mãe branca, Obama cresceu no Havaí e na
Indonésia, em ambientes branco e asiático. Não tem
o sotaque do sul, identificado com muitos políticos negros, nem
o modo de falar dos negros urbanos de Nova York ou de Chicago. Obama vinha sendo
criticado pelo tom messiânico de seus discursos, com promessas vagas
de mudança e poucas propostas concretas. No seu discurso de aceitação
da nomeação, na quinta-feira, considerado o mais importante
de sua carreira, ele enumerou metas objetivas, embora extremamente ambiciosas,
como reduzir impostos de 95% dos americanos e eliminar a dependência
do petróleo do Oriente Médio em apenas dez anos. "O
discurso de quinta-feira à noite foi muito concreto e forte",
diz Della Volpe. "Falou das diferenças entre ele, Bush e McCain
e que tipo de mudanças pretende realizar." Para William Galston,
ex-assessor do ex-presidente Clinton e especialista em campanhas eleitorais
da Brookings Institution, ficou evidente na convenção que
o senador Biden foi uma boa escolha. Já a indicação
da vice de McCain foi uma "decisão ousada e heterodoxa, de
alguém que se mostra independente do Partido Republicano, mas também
muito arriscada", disse Galston, considerando a idade avançada
e o câncer recente de McCain. A escolha reflete
o desejo - visível também nos democratas - de afastar-se
do establishment político. "Há uma percepção
no povo americano de que o governo fracassou em suas tarefas mais importantes",
observa Galston. "Os candidatos estão disputando essa eleição
contra Washington." No seu discurso de quinta-feira, Obama disse:
"A mudança não virá de Washington, ela irá
até lá." "McCain escolheu
alguém do Estado mais distante possível de Washington (Alasca)",
ironiza Galston. "Mais longe, só o Havaí. Isso simboliza
a rejeição de Washington." Mas, observa, "ao mesmo
tempo que não confiam no governo, os americanos criticam a falta
de experiência de Obama, e McCain pôs em xeque sua capacidade
de liderança. Se não fosse por isso, Biden não teria
sido escolhido vice." O tênue equilíbrio
entre experiência e mudança deve definir a eleição
de 4 de novembro. Copyright © O Estado de S. Paulo. Todos os direitos reservados |