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McCain
faz aposta arriscada para ganhar eleitores pró e anti-Bush |
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LOURIVAL
SANTANNA |
Domingo,
7 de setembro de 2008
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SAINT-PAUL, EUA "McCain é
bastante crível em seu papel de reformista", afiança
Larry Sabato, diretor do Centro para Política da Universidade da
Virgínia. "Mas é muito difícil para um candidato
do governo ser visto como agente de mudança", ressalva o analista.
"Pense nisso: ele tem de atrair metade de seus votos de eleitores
que apóiam o presidente George Bush e a outra metade dos que se
opõem a ele. Isso é muito difícil." Até a semana
passada, McCain representava a experiência, em contraste com seu
adversário democrata, Barack Obama, que simboliza a mudança.
A fragilidade de Obama, senador de 47 anos em primeiro mandato, sem nenhum
cargo executivo no currículo, é a sua falta de experiência
para presidir o país. Ele procurou supri-la nomeando vice em sua
chapa o senador Joe Biden, com 36 anos de casa. McCain, 72 anos, no Congresso
há 26, buscou a mesma solução, de maneira ainda mais
radical. Escolheu uma desconhecida governadora de 44 anos de um Estado
recôndito. Embora surpreendente, foi uma escolha calculada. Sarah Palin enfrentou
o Partido Republicano, tanto local quanto nacional, em várias ocasiões.
Essa característica de "republicana rebelde" acrescenta
menos à chapa de McCain, ele próprio conhecido como uma
"ovelha desgarrada", do que outra qualidade: o seu conservadorismo
social. Sarah se opõe ao aborto - ao contrário de McCain,
para desgosto de muitos eleitores republicanos - não só
com palavras, mas com atos: ela decidiu ter o seu quinto filho, agora
com quatro meses, depois de saber que ele tinha síndrome de Down;
e sua filha de 17 anos está grávida do namorado de 18 -
que por sinal foi apresentado na convenção, junto com toda
a família - e também terá a criança. Sarah, cujo marido,
um petroleiro no Alasca, recebeu US$ 49 mil no ano passado, considerado
salário baixo para o padrão americano, assumiu também
o papel de "americana comum" da chapa. Com sua mulher multimilionária,
dona de um império de distribuição de cervejas, McCain
tem dificuldade de se apresentar dessa maneira, ainda mais depois que
não conseguiu responder à pergunta sobre quantas casas possuía
- isso, no meio de uma crise em que muitos americanos estão tendo
de entregar suas casas por não conseguirem arcar com o aumento
das hipotecas. "Sou uma 'hockey mom'", repetiu Sarah ao longo
da semana, usando uma expressão que designa as mães e donas-de-casa
americanas. Com esses ingredientes,
a convenção republicana transformou a postulação
à presidência numa fórmula química, em que
cada composto tem uma função eleitoral. A dúvida
é se o multifacetado eleitorado americano reagirá conforme
a equação. As eleitoras americanas
não parecem particularmente atraídas pela entrada de Sarah
na disputa - destinada, também, a canalizar os votos das "órfãs"
da senadora Hillary Clinton, derrotada por Obama nas primárias
democratas. Em seu primeiro discurso, quando foi anunciada por McCain,
no dia 29, Sarah elogiou Hillary e lembrou os "18 milhões
de rachaduras no teto de vidro", com que a senadora democrata se
referiu aos votos recebidos nas primárias: "As mulheres da
América ainda não terminaram e podemos estilhaçar
esse teto de vidro de uma vez por todas." Pesquisa feita pelo
Instituto Rasmussen aponta que 57% das eleitoras votariam em Hillary e
35% em Sarah, numa hipotética disputa presidencial entre as duas.
Em contrapartida, são os homens que parecem mais entusiasmados
com Sarah, ex-miss Wasilla (a cidade de 7 mil habitantes da qual se tornaria
depois prefeita) e assídua praticante de esportes: 49% votariam
nela e 45%, em Hillary. Em geral, Hillary venceria por 52% a 41%. A pesquisa não
capta a migração de eleitoras de Hillary para Sarah, mas
nem os republicanos contam tanto com isso. "Sarah Palin tem um forte
apelo sobre as eleitoras que normalmente não votam", aposta
Ben Ginsberg, lobista e assessor da campanha republicana. "Não
necessariamente as eleitoras de Hillary Clinton, mas as mães desgostosas
com a política, as 'hockey moms' que não se vêem nos
outros candidatos, e que têm tido baixa participação
nas eleições", explica Ginsberg. "Sarah Palin
pode energizar uma nova base de eleitores." No decorrer da convenção,
McCain neutralizou a diferença de cerca de 6 pontos porcentuais
que o separava de Obama nas pesquisas, alcançando empate técnico.
Segundo sondagem do Rasmussen, feita entre a terça e a quinta-feira,
Obama seguia à frente de McCain, por 48% a 46%. Já pesquisa
da CBS News, feita entre segunda e quarta-feira, deu 42% a ambos. Copyright © O Estado de S. Paulo. Todos os direitos reservados |