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'Wall
Street está contra a América' |
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LOURIVAL
SANTANNA |
Sexta-feira,
17 de outubro de 2008
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NOVA YORK "É Wall
Street que impede o acesso do povo americano ao seu governo e à
riqueza que lhe pertence, mas que ele não controla", gritou
Nader ao microfone, numa tribuna montada na frente da escadaria do Federal
Hall National Memorial, erguido no local onde George Washington, o primeiro
presidente americano, tomou posse diante do Congresso Constituinte, em
1789. "Wall Street se colocou contra a América", continuou
Nader, que aparece com cerca de 5% nas pesquisas de opinião - o
equivalente à diferença entre o democrata Barack Obama (49%)
e o republicano John McCain (45%), na média das sondagens. "É
o muro (wall) que concentrou toda a riqueza e o poder." Uma das faixas amarradas
nas colunas em estilo clássico do prédio, típico
das construções destinadas a reativar a economia americana
depois da Grande Depressão dos anos 30, dizia: "Caros McCain,
Obama, Bush, um trilhão de agradecimentos." Assinado: Wall
Street. Outra acusava: "O Congresso e Wall Street apertaram os parafusos
nos contribuintes de Main Street ('Rua Principal', apelido para a economia
real)." Um homem com uma cabeleira
loira e paletó branco sobre uma túnica preta de pastor assumiu
a tribuna depois que Nader entrou no prédio para conceder uma entrevista
coletiva: "Prisão, sim, resgate, não", gritou
ele várias vezes, acompanhado pelos manifestantes. "Amém,
aleluia." Um homem passava recolhendo doações para
a campanha de Nader com um balde com os dizeres: "Pegue seu país
de volta. Eles roubaram sua democracia." Pesquisa realizada
pelo Instituto Rasmussen no dia 2, um dia depois de o Senado aprovar o
pacote de resgate aos bancos, indicou que 45% dos eleitores se opunham
ao plano, enquanto 30% o apoiavam e 25% estavam indecisos. Além
disso, 63% disseram que Wall Street se beneficiaria mais, enquanto apenas
22% consideravam que o mais favorecido pelo pacote seria o contribuinte
médio. Entre os transeuntes
que pararam para assistir ao comício de Nader, predominava a resignação.
"O governo não tem mais nada a fazer", disse Robert Kavaliauskas,
de 51 anos, formado em administração de empresas e funcionário
do Estado de Nova York. "O colapso do capitalismo pode ser lento
ou rápido. O governo está tentando fazer com que seja lento." "Acho que estamos
numa situação em que esse debate sobre o que o governo deve
ou não fazer já está ultrapassado", opinou Quentin
Altherley, de 53 anos, investigador de crimes financeiros. "Não
concordo necessariamente com o resgate das instituições
financeiras. Acho que o pacote deveria focalizar no crédito imobiliário.
Mas alguma coisa tinha que ser feita." Com um olhar divertido,
corretores da Bolsa transitavam em frente ao protesto, com coletes e crachás
de instituições como Merril Lynch e Bear Stearns. "Não
podemos dar entrevistas", recusavam eles, sorrindo. Dentro do prédio
da Bolsa, um corretor que negocia papéis das principais empresas
brasileiras concordou em conversar com o Estado pelo telefone, desde seu
nome não fosse publicado. "Vamos continuar por muito tempo
com esses tropeços", disse ele. "Vai levar alguns anos
até que o problema se resolva." Segundo o corretor, os recursos
destinados aos nove maiores bancos, nos valores de US$ 25 bilhões
a US$ 3 bilhões para cada um, anunciados no início da semana,
ainda não chegaram ao mercado e demorarão algumas semanas
para causar efeito no mercado. "O Brasil também
é afetado, por causa da redução da demanda por commodities
no mercado mundial e porque alguns investidores vendem suas ações
lá para cobrir posições aqui", disse ele. "Mas
a economia brasileira é considerada muito sólida, e os investidores
americanos que querem diversificar suas aplicações vão
continuar procurando o Brasil, assim como o México, a Colômbia
e o Peru, cujas políticas geram confiança no futuro."
O corretor admitiu que perdeu dinheiro nos últimos dias. "Todos
perderam", disse ele, negando-se a dizer quanto foi o seu prejuízo. Copyright © O Estado de S. Paulo. Todos os direitos reservados |
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