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Bolsas
dos EUA caem com números ruins da economia |
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LOURIVAL
SANTANNA |
Sábado,
18 de outubro de 2008
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NOVA YORK O pior indicador veio
justamente da construção civil, o setor que desencadeou
a crise no ano passado. O Departamento de Comércio informou que
foram solicitados 817 mil alvarás de construção de
residências no mês de setembro. O número representa
uma queda de 6,3% em relação ao mês anterior, e é
o menor desde janeiro de 1991. O mercado esperava que ele ficasse em 880
mil. Para a construção de casas, a queda nos pedidos de
alvarás foi de 12% - a maior desde agosto de 1982. Levantamento feito
pela agência Reuters em conjunto com a Universidade de Michigan
registrou uma queda brutal na confiança dos consumidores. O índice
caiu de 70,3, em setembro, para 57,5, em outubro. Foi a pior queda desde
que o levantamento começou a ser feito, em 1981. Noutro campo da economia
real, o setor de refrigerantes e comidas rápidas, houve boas e
más notícias, mas o mercado, deprimido, deu mais atenção
às últimas. A Coca-Cola, maior fabricante de refrigerantes
do mundo, anunciou lucros no terceiro trimestre acima dos previstos em
Wall Street, e suas ações subiram 6%. Entretanto, a insistência
de más notícias sobre o desempenho da PepsiCo falou mais
alto. O grupo teve a maior queda em suas ações desde a crise
de 1987. Com o sinal verde
dos bancos ao pacote de US$ 250 bilhões do governo para injetar-lhes
recursos, o índice KBW, que agrupa 24 instituições
financeiras, subiu 12,2%. No acumulado de dois dias, o indicador aumentou
17,9%. As ações do Citigroup subiram ontem 18,2% e as do
Bank of America, 16,4%. Mesmo
assim, o índice Dow Jones fechou em queda de 3,73%. Já a
Nasdaq, que reúne as empresas de tecnologia, caiu 3,03%. Em Washington, o presidente
George W. Bush admitiu ontem a necessidade de reforma do sistema financeiro,
defendida por governantes europeus, mas advertiu para as "conseqüências
indesejáveis" de um excesso de regulação sobre
o capitalismo. "Não
devemos nunca perder de vista os enormes benefícios do sistema
de livre iniciativa", disse Bush, que se reúne hoje na Casa
Branca com o presidente francês, Nicolas Sarkozy, e com o português
José Manuel Barroso, presidente da Comissão Européia.
"Apesar das correções (que devem ser feitas) nos mercados
e apesar de determinados abusos, o capitalismo democrático segue
sendo o maior sistema já concebido." Segundo os críticos,
as resistências do governo Bush em intervir na economia ampliaram
a atual crise. O governo se negou a evitar a quebra do banco Lehman Brothers,
há um mês, que levou as outras instituições
financeiras a bloquear a concessão de créditos entre si,
que irriga a economia. O governo republicano
também resistiu inicialmente à idéia de comprar ações
dos bancos como forma de lhes garantir liquidez, apresentando um plano
de aquisição de ativos podres que não devolveu a
confiança ao mercado. A estratégia só foi adotada
depois, diante das pressões do Congresso e do aprofundamento da
crise. Ironicamente, enquanto
o presidente americano defendia idéias liberais, o déficit
público dos Estados Unidos atingia ontem um novo recorde, de US$
455 bilhões, para o ano fiscal de 2008, encerrado no dia 30. O
rombo ficou muito acima da última estimativa do governo, de US$
389 bilhões. O recorde anterior, registrado em 2004, no calor da
guerra no Iraque, era de US$ 413 bilhões. Copyright © O Estado de S. Paulo. Todos os direitos reservados |