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Democrata
não vai zerar déficit, diz assessor |
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LOURIVAL
SANTANNA |
Quarta-feira,
22 de outubro de 2008
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NOVA YORK "Dado o tamanho
do rombo, não é realista equilibrar o orçamento nos
próximos quatro anos", disse Goolsbee. "Obama vai reduzi-lo."
Segundo o economista, isso seria obtido com cortes de gastos, por exemplo,
com a guerra do Iraque, que já custou "pelo menos US$ 1 trilhão,
talvez mais". O candidato democrata cortaria também "programas
ineficientes, como subsídios de US$ 15 bilhões ao ano dados
a planos privados de saúde para competirem com o sistema público".
Em contrapartida,
acusou Goolsbee, o programa de McCain aumentaria o déficit público
em US$ 350 bilhões, que seria o montante das isenções
fiscais por ele prometidas. "Como pode alguém olhar para o
fracasso dos últimos oito anos e se propor a repetir exatamente
as políticas que levaram a esse fracasso?", perguntou Goolsbee,
acusando os republicanos de oferecer aos bancos e às grandes corporações
generosos incentivos fiscais. Obama promete reduzir impostos para 95%
dos trabalhadores, com rendimento anual de até US$ 90 mil, e não
aumentar para os que ganham até US$ 250 mil. Douglas Holtz-Eakin,
economista-chefe da campanha de McCain, garantiu que seu programa vai
equilibrar as contas por meio da redução dos impostos, favorecendo
sobretudo as pequenas empresas, que segundo ele geram 84% dos empregos
do país, tendo aberto 330 mil vagas este ano. O estímulo
ao crescimento econômico resultante aumentaria a arrecadação.
Além disso, "é preciso controlar os gastos, voltar
à rigidez fiscal dos anos 90, que foi obtida graças a um
esforço bipartidário", disse Holtz-Eakin, sob o olhar
irônico de Goolsbee. Os democratas atribuem
o equilíbrio fiscal dos anos 90 à política econômica
do ex-presidente democrata Bill Clinton, e culpam o presidente republicano
George W. Bush pela explosão do déficit público,
com a combinação de cortes de impostos e aumento dos gastos,
sobretudo militares. No ano fiscal encerrado em setembro, o déficit
foi de US$ 700 bilhões - 50% a mais que no ano anterior, e 5% do
Produto Interno Bruto. O economista republicano,
ex-assessor da Comissão de Orçamento do Congresso, negou
que o programa de McCain diminua os impostos só dos ricos. Ao responder
uma pergunta sobre o aumento da desigualdade nos Estados Unidos, no entanto,
ele contestou a tese de que ela esteja relacionada com o sistema tributário.
"É uma tendência dos anos 80 que atravessou os anos
90, e suas principais causas são a baixa qualidade da educação
e o alto custo do atendimento à saúde." Os dois discordam,
no entanto, sobre como resolver a crise do setor imobiliário, que
desencadeou a atual crise financeira e econômica. Holt-Eakin reafirmou
a proposta de McCain de ajudar os inadimplentes a pagar suas hipotecas,
para mantê-los em suas casas e conter o declínio de muitos
bairros. "Isso é premiar os credores mais irresponsáveis,
incluindo os que fraudaram a avaliação das casas",
criticou Goolsbee. Os democratas defendem a injeção de recursos
em troca de participação nos bancos, adotada pelo governo
Bush por pressão do Congresso, depois de certa relutância.
Em contrapartida, querem mais controle sobre as instituições
financeiras: "Pedir mais regulação não é
ser contra o mercado", argumentou Goolsbee, lembrando que Obama defendeu
essa tese há um ano num discurso na Nasdaq, a bolsa de valores
das empresas de alta tecnologia. Copyright © O Estado de S. Paulo. Todos os direitos reservados |