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Sarkozy
quer esquerda no gabinete |
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| LOURIVAL
SANTANNA Enviado especial |
Quarta-feira,
9 de maio de 2007
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PARIS A um mês das
eleições para a Assembléia Nacional, que determinarão
as condições de governabilidade de seu mandato, a equipe
do direitista Nicolas Sarkozy, presidente eleito da França, estendeu
a mão para o centro e a esquerda, buscando ampliar suas alianças.
O diretor da campanha de Sarkozy, Claude Guéant, que deverá
ser nomeado secretário de Estado (equivalente a ministro-chefe
da Casa Civil), confirmou ontem que o presidente eleito deseja ter ministros
de esquerda e negociar as reformas trabalhistas com sindicatos. Guéant não
falou em nomes, mas entre os mais lembrados estão o ex-deputado
socialista Éric Besson, que publicou este ano um livro crítico
à candidata do partido, Ségolène Royal, intitulado
"Quem conhece madame Royal?", e apoiou Sarkozy na campanha.
Outro que pode ser convidado é o ex-ministro da Saúde Bernard
Kouchner, fundador da organização Médicos sem Fronteiras,
que foi pré-candidato socialista no ano passado e chegou a defender
um "governo de união nacional" com a direita. Os líderes
das centrais sindicais se declararam dispostos a negociar com o futuro
governo - obrigado, por uma lei aprovada em janeiro, a ouvir os atores
sociais antes de promover reformas trabalhistas. O secretário-geral
da Confederação Geral do Trabalho, Bernard Thibault, disse
que "ninguém pode negar a legitimidade" de Sarkozy, que
na campanha atacou direitos adquiridos defendidos pelos sindicatos, como
a jornada de 35 horas semanais, e prometeu mudar a lei de greve para obrigar
os trabalhadores dos transportes a garantir o serviço nos horários
de pico. "Sarkozy não tem nenhuma intenção de
impor nada", assegurou ontem Guéant. Eleito no domingo
com 53% dos votos válidos, ante 47% para a candidata socialista
Ségolène Royal, Sarkozy se recolheu, na segunda-feira, na
ilha de Malta, onde tem feito passeios de iate, enquanto reflete sobre
a formação do novo governo. O presidente eleito e o primeiro-ministro
que ele nomeará, provavelmente o senador François Fillon,
tomarão posse no dia 16. Sarkozy não
participou ontem da tradicional cerimônia para lembrar a vitória
aliada sobre os nazistas na 2.ª Guerra Mundial, conduzida, pela última
vez, pelo presidente Jacques Chirac, no cargo há 12 anos. O ex-ministro
do Interior alegou que queria evitar a sensação de uma "presidência
de duas cabeças". Embora Chirac tenha participado da cerimônia
em 1995, como presidente eleito, ao lado do então presidente socialista
François Mitterrand. Sarkozy deve nomear
15 ministros (dos quais, 7 mulheres) para governar até as eleições
dos dias 10 e 17 de junho. Só depois é que ele deverá
escolher outros 20 secretários nacionais, com base nos resultados
eleitorais. Um dos efeitos da
campanha presidencial é a possível dissolução
da União pela Democracia Francesa (UDF), do candidato centrista
François Bayrou, terceiro colocado no primeiro turno, com 18,57%
dos votos. Bayrou, que foi ministro da Educação no governo
do presidente Jacques Chirac e do primeiro-ministro Alain Juppé,
entre 1995 e 1997, não apoiou Sarkozy no segundo turno, ao contrário
da maioria dos deputados da UDF. O ministro da Educação,
Gilles de Robien, integrante da UDF, disse ontem que os "23 ou 24"
deputados do partido que apóiam Sarkozy devem formar uma nova agremiação
para participar do próximo governo. Bayrou, de sua parte, lança
amanhã um novo partido, chamado Movimento Democrático. Copyright © O Estado de S. Paulo. Todos os direitos reservados |