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Sarkozy vence e
acena com mudança |
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| LOURIVAL
SANTANNA Enviado especial |
Segunda-feira,
7 de maio de 2007
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PARIS "O povo francês
escolheu a mudança." Assim o direitista Nicolas Sarkozy festejou
ontem a sua vitória sobre a socialista Ségolène Royal,
no segundo turno da eleição presidencial. Favorito em todas
as pesquisas, Sarkozy, de 51 anos, obteve 53% dos votos válidos,
e Ségolène os restantes 47%. Assim como no primeiro turno,
os franceses compareceram em massa às urnas: 84%, um índice
próximo dos recordes históricos de participação. Considerado pró-americano,
Sarkozy mandou uma mensagem eloqüente para o governo dos Estados
Unidos, em favor de sua adesão ao Protocolo de Kyoto, pela redução
de gases do efeito estufa. "Podem contar com nossa amizade. A França
está sempre ao seu lado quando precisarem dela. Mas como amigos
que pensam diferente", disse ele, para advertir: "A grande nação
dos EUA não podem impor obstáculo ao combate ao aquecimento
global. Está em jogo o destino da humanidade inteira. E a França
fará desse o seu combate." Depois de uma campanha
em que estiveram praticamente ausentes temas de política externa,
eles dominaram o breve discurso da vitória de Sarkozy. "Toda
minha vida fui europeu, creio profunda e sinceramente na construção
européia", disse o presidente eleito. "Mas exorto nossos
parceiros europeus a não ficarem surdos à cólera
do povo que percebe a União Européia não como proteção,
mas como cavalo de Tróia." Conhecido por sua
posição em favor da restrição à imigração,
Sarkozy prometeu ajudar a África - subentende-se, para evitar que
seus povos tenham de buscar uma vida melhor na Europa. "Faço
um apelo por uma união do Mediterrâneo, entre a Europa e
a África, um apelo fraternal a todos os africanos. Queremos ajudar
a África", disse ele. "Vamos decidir juntos uma política
de imigração controlada e uma política de desenvolvimento
ambiciosa." O presidente eleito
assumiu também um tom conciliador em relação a Ségolène,
que o acusou de "imoralidade política" num debate na
quarta-feira. "Tenho respeito por Madame Royal e por suas idéias",
declarou ele. "Para além das diferenças de opinião,
para mim só existe uma França", disse Sarkozy, cujo
slogan de campanha foi "juntos, tudo se torna possível". Sarkozy saiu depois de carro pelas ruas de Paris, sentado no banco de trás com sua mulher Cécilia, com o vidro aberto, saudando os eleitores, num gesto que lembrou o do presidente Jacques Chirac, eleito em 1995 e em 2002. Depois de duas horas e meia de passeio, voltou à Concórdia, onde a festa prosseguia, com artistas que o apoiaram na campanha, incluindo o ator Gérard Depardieu. Num discurso improvisado
de apenas 5 minutos, Sarkozy pediu "tolerância e fraternidade",
disse que "não haverá mais direito sem a contrapartida
de um dever", e agradeceu: "A França me deu tudo."
Em seguida, cantaram a Marselhesa, o hino nacional da França. Ségolène
apareceu diante de seus simpatizantes no comitê socialista logo
depois do primeiro discurso de Sarkozy. Foi sucinta. "Alguma coisa
nasceu, que não se deterá mais", disse ela, no seu
estilo poético. O ex-ministro socialista da Economia Dominique
Strauss-Kahn, que disputou com ela a candidatura do partido, e defende
a adoção de idéias mais liberais, foi mais preciso:
"A culpa é do Partido Socialista, que não soube se
reformar." Copyright © O Estado de S. Paulo. Todos os direitos reservados |