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Showmício
de Ségolène vira ato de desagravo para geração
de 68 |
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| LOURIVAL
SANTANNA Enviado especial |
Quarta-feira,
2 de maio de 2007
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PARIS Nesse mesmo estádio,
no dia 27 de maio de 1968, estudantes da esquerda não-comunista
reuniram também um número aproximado de 40 mil pessoas.
É o nosso Woodstock, brincou o cantor Cali, que participou
ao lado de Yannick Noah e outros músicos, incluindo roqueiros e
rappers. Durante comício no domingo no Palais Omnisports de Bercy,
sudeste de Paris, que também reuniu cerca de 40 mil pessoas, Sarkozy
se declarou candidato de uma maioria silenciosa que se ergue contra
a dominação da ideologia de 1968. No próximo
domingo, vocês têm a escolha entre dois modelos de sociedade,
respondeu ontem Ségolène. Esta grande reunião
nesta noite mostra o modelo que proponho a vocês para a França:
um país de compartilhamento, de emoção, de beleza,
de todas as gerações se levantando juntas. O showmício
de ontem serviu também para Ségolène mostrar que
não é só Sarkozy que tem apoio de artistas. O comício
de domingo do adversário foi animado por celebridades como o cantor
Johnny Hallyday e o ator Jean Reno. Milhares de pessoas se aglomeraram
ontem em torno do estádio lotado, aproveitando o sol de primavera
e os acordes que vinham de dentro. Apóio
Ségolène porque ela representa melhor os valores republicanos
franceses: a liberdade, a igualdade e a fraternidade, disse o engenheiro
Philippe Comois, de 55 anos. É preciso evitar que assuma
a presidência um homem perigoso, desequilibrado, turbulento e violento,
enumerou sua mulher, Anne, também engenheira, de 54. O casal trazia
nas camisas um colante com os dizeres: Stop Sarko. Espero que,
com Ségolène, todas as pessoas possam desfrutar da democracia
e ter um trabalho, disse Gilles Fosso, de 32 anos, imigrante de
Camarões, e funcionário da Électricité de
France (EDF). Ela é como Lula, comparou. Apóio
Ségolène por razões sociais e humanas, explicou
Sylvie, técnica em informática. Ela ouve as pessoas.
Seu marido Antoine Elronce, que também trabalha com informática,
considera uma heresia a observação de Sarkozy
sobre a geração de 68.Para
Sylvie, ele soou como o líder ultradireitista Jean Marie Le Pen. A rejeição
a Sarkozy é um poderoso fator de apoio a Ségolène.
Sarkozy não vai governar por todo o povo, é o homem
do dinheiro, dos interesses financeiros, disse a corretora imobiliária
Christine Picarda, de 52 anos. É preciso valorizar toda a
França. Ségolène é muito mais social. Sarkozy
não está preocupado com os problemas das pessoas. Sarkozy e Ségolène
se encontram hoje à noite, no primeiro debate presidencial na França
desde 1995 em 2002, o presidente Jacques Chirac se recusou a participar
de um debate com Le Pen. Ségolène, que exibe um discurso
freqüentemente vago e personalista, tem assegurado que está
preparada para o confronto com Sarkozy, um homem de língua ferina
e memória afiada para dados. Além de politicamente
incorreto, Sarkozy é direto e concreto em suas propostas: Votei
a favor do euro. Mas não para ser sobrevalorizado e destruir os
empregos da Europa, diz ele em seu programa eleitoral gratuito.
Vou propor a desvalorização do euro. Já
Ségolène aparece dizendo frases do tipo: O mundo mudou,
a França mudou, a política tem que mudar. Ou: Vamos
dar à França a energia de que ela precisa. Será talvez
a última chance da candidata socialista de tentar alcançar
o ex-ministro do Interior, que mantém a dianteira nas pesquisas
desde janeiro, e oscila, segundo as diferentes sondagens, entre 52% e
53%, ante 47% a 48% de sua adversária. Espera-se para esse debate,
que começa às 21 horas em Paris (16 horas em Brasília),
uma audiência semelhante à da final da Copa do Mundo do ano
passado: 20 milhões de espectadores. Copyright © O Estado de S. Paulo. Todos os direitos reservados |
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