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Ségolène
buscará apoio de Bové na área de agricultura e globalização |
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| LOURIVAL
SANTANNA Enviado especial |
Terça-feira,
1º de maio de 2007
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PARIS Confiei uma
missão a José Bové sobre a mundialização
e a soberania alimentar, declarou Ségolène, em segundo
lugar nas pesquisas de intenção de voto para o segundo turno,
mas a apenas quatro pontos de seu adversário, o direitista Nicolas
Sarkozy. A missão é um estudo que a socialista pediu ao
líder radical, antes de seu comício em Lyon, na sexta-feira.
Bové ficou
conhecido no Brasil em janeiro de 2001, durante o Fórum Social
Mundial de Porto Alegre, quando liderou a destruição de
plantações experimentais de soja e de milho transgênicos
da multinacional americana Monsanto, no município de Não-Me-Toque.
O ato levou a sua expulsão do Brasil. Na França, Bové foi preso e processado pela depredação de uma lanchonete McDonalds em 1999 e pela destruição de uma plantação de milho transgênico de uma subsidiária da americana Dupont, em 2004. Há um ano, foi impedido de entrar nos Estados Unidos, por causa de seu histórico. Candidato no primeiro
turno da eleição presidencial, dia 22, Bové obteve
1,32% dos votos. Figura entre os quatro candidatos de esquerda que aderiram
a Ségolène depois do primeiro turno, e que somaram 9% dos
votos. Preocupada em acenar
para todos os lados do espectro ideológico, a candidata disse também
que poderia nomear primeiro-ministro o socialista moderado Dominique Strauss-Kahn.
Ministro da Economia entre 1997 e 1999, durante o governo do socialista
Lionel Jospin, Strauss-Kahn é mais firmemente favorável
ao livre mercado que Ségolène. Na entrevista, ela
acenou com a renacionalização do grupo Gaz de France (GDF):
Precisamos de um grande pólo público de energia.
Depois de disputar com ela a nomeação do partido para a
candidatura à presidência, Strauss-Kahn engajou-se em sua
campanha. Ségolène
também demonstrou flexibilidade para ampliar suas alianças,
acenando com uma coalizão com o grupo do centrista François
Bayrou, terceiro colocado no primeiro turno, com 18,57%. Ségolène
teve 25,87% e Sarkozy, 31,18%. À pergunta sobre se Bayrou, o candidato
derrotado que participou com Ségolène de um insólito
debate no sábado, também poderia ser nomeado primeiro-ministro,
a candidata socialista respondeu: Por definição, não
me proíbo nada. Dos 29 deputados da
União pela Democracia Francesa (UDF), 21 aderiram a Sarkozy depois
do primeiro turno, incluindo o líder da bancada, Hervé Morin.
Nenhum declarou apoio a Ségolène. Historicamente, a UDF
e o grupo da União por um Movimento Popular (UMP), de Sarkozy,
aliam-se nas eleições distritais francesas. A Assembléia
Nacional terá eleições em junho. Na disputa pelos 6,8
milhões de votos de Bayrou num universo de 37 milhões
de votantes no primeiro turno , Sarkozy fez uma promessa que, se
cumprida, poderia mudar a configuração da política
francesa: introduzir o sistema proporcional na Assembléia Nacional,
que hoje é regido pelo voto distrital puro. Os candidatos que não
obtêm mais da metade dos votos disputam um segundo turno. Esse sistema
tem alijado os partidos menores da representação parlamentar. Pesquisa do Instituto
Sofres, realizada nos dias 26 e 27, e publicada ontem pelo jornal Le Figaro,
confere 52% dos votos válidos a Sarkozy e os restantes 48% a Ségolène.
Nessa sondagem, 41% dos eleitores de Bayrou no primeiro turno declaram
voto a Ségolène no segundo, e 32% a Sarkozy. O dado reflete
uma eloqüente mudança em favor do ex-ministro do Interior.
Na pesquisa anterior, feita há apenas quatro dias, Ségolène
atraía os votos de 46% dos eleitores de Bayrou e Sarkozy, 25%. Copyright © O Estado de S. Paulo. Todos os direitos reservados |