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Tropas russas ignoram
acordo |
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| LOURIVAL
SANT'ANNA Enviado especial |
Sábado,
16 de agosto de 2008
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TBILISI Horas depois de a
Geórgia assinar formalmente o cessar-fogo, um comboio com 17 blindados
de transporte de tropas e 200 soldados russos avançou ontem para
o ponto mais próximo da capital da Geórgia, Tbilisi, desde
o início do conflito entre os dois países, há uma
semana. O comboio partiu de Gori, no centro da Geórgia, e estacionou
em Igoieti, a 40 km de Tbilisi. De acordo com a agência Reuters,
os veículos transitaram pela Geórgia sem enfrentar resistência. O presidente da Geórgia,
Mikhail Saakashvili, afirmou que tanques russos também avançaram
para Khashuri and Borjomi, no centro do país. "Temos agora
uma área crescente de ocupação de nosso território",
disse o presidente. As Forças Armadas
russas consolidaram nos últimos dias o controle do acesso ao centro
e ao oeste da Geórgia, num aparente movimento de pinça para
impedir o país de recuperar as províncias separatistas da
Ossétia do Sul e da Abkházia. A movimentação
maciça de tropas e de meios mostra a clara intenção
russa de consumar a divisão da Geórgia, desafiando os Estados
Unidos e a França, cujos presidentes defenderam publicamente a
"integridade territorial" da ex-república soviética. Viajando num comboio
de blindados russos, vindo da Ossétia do Sul, o repórter
do Estado constatou que os russos controlam inteiramente Gori,
a 30 km de Tskhinvali, a capital da província separatista. O comboio
percorreu essa distância sem sobressaltos, entre 12h e 13h45 de
quinta-feira, parando numa base montada na bifurcação entre
as estradas para o porto de Batumi (no Mar Negro) e Tskhinvali, onde estão
concentradas dezenas de caminhões, blindados e tanques russos.
A cerca de 5 km da
nova linha de demarcação do conflito, que avançou
de quarta para quinta-feira, dezenas de caminhonetes do Exército
da Geórgia, estacionadas num pátio à beira da estrada,
indicam a debilidade da resistência georgiana, em contraste com
a solidez dos comboios russos. Só mais adiante começam a
surgir blindados georgianos na estrada de 80 km que liga Gori a Tbilisi.
Perto da entrada de Tbilisi, cerca de 100 caminhões do Exército
e ônibus fretados formam uma imensa fila no acostamento, repletos
de soldados, mobilizados para a defesa da capital. O general Anatoly
Nogovitsyn, vice-chefe do Estado Maior Conjunto da Rússia, afirmou
ontem que as forças russas confiscaram 1.728 armas em Senaki (oeste),
parte delas de fabricação americana. O Estado presenciou,
no início da noite de quarta-feira, a chegada de parte desse butim
numa base do Exército russo em Tskhinvali. Enquanto amontoavam
armas, munições e apetrechos georgianos, os militares russos
demonstraram interesse especial por fuzis-metralhadoras modernos e sem
uso. A Rússia acusa os Estados Unidos de fornecer armas à
Geórgia. Nogovitsyn questionou
se os cinco aviões de carga C-17 dos EUA que aterrisaram ontem
no aeroporto de Tbilisi trazem apenas ajuda humanitária, conforme
anunciado, ou se também transportam armamentos. As atitudes da última
semana de Saakashvili causaram perplexidade, irritação,
fúria e humilhação em muitos militares georgianos.
Em conversas privadas, eles dizem que Saakashvili os empurrou para uma
derrota sem sentido, causando mortes e destruição. Poucos
têm coragem de falar abertamente. Entre eles está o sargento
reservista David Chikadze, de 35 anos, que voltou na terça-feira
de Gori, onde lutou desde o primeiro dia da ofensiva, iniciada dia 8. "Ficamos com
a sensação de que Saakashvili não queria derrotar
os russos, mas provar que eles são maus", analisa Chikadze,
salientando que essa é a interpretação de "todo
o Exército georgiano", incluindo o general que comandou sua
unidade. "É tudo um jogo político", diz ele, para
favorecer os republicanos na eleição americana, mostrando
que a Rússia é uma ameaça e que a linha dura, representada
pelo candidato John McCain, é a que melhor atende aos interesses
dos Estados Unidos. Chikadze conta que,
na tarde do dia 8, a artilharia do Exército georgiano estava em
Java, a última cidade da Ossétia do Sul antes da Rússia.
A força georgiana, diz Chikadze, que tinha um primo lutando em
Java, estava em superioridade em relação ao Exército
russo, ainda a caminho da Ossétia do Sul. "Nós estávamos prestes a tomar o Túnel da Rocha, o principal acesso entre a Rússia e a Ossétia do Sul", recorda o sargento. "Saakashvili nos mandou cessar as operações por três horas para abrir um corredor para a saída dos civis de Tskhinvali." Acontece que as mulheres e crianças já tinham deixado a capital da Ossétia do Sul, afirma Chikadze. "Três horas são muito tempo numa guerra", diz o sargento. "Entre 15h e 18h, os reforços russos chegaram, e Saakashvili nos mandou bater em retirada." Os sinais da retirada
desordenada são visíveis, com dois caminhões batidos
um contra o outro e tanques abandonados na saída de Gori. Copyright © O Estado de S. Paulo. Todos os direitos reservados |
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