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Amorim:
'Essa é a minha missão mais importante' |
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LOURIVAL
SANTANNA |
Terça-feira,
21 de dezembro de 2004
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PORTO PRÍNCIPE "De todas as
missões que realizei, essa é a mais importante", avaliou
Amorim. "Aqui, nossa presença pode fazer uma diferença,
e pode trazer benefícios não só aos haitianos mas
também ao povo brasileiro em termos de autoconhecimento e busca
de suas próprias raízes." O chanceler lembrou
que o Haiti foi o primeiro país da América Latina a obter
a independência, em 1804. A insurreição dos negros
haitianos contra a França de Napoleão Bonaparte, iniciada
em 1791, inspirou o movimento pela independência no Brasil. Ao agradecer,
Latortue salientou o fato de que o Brasil está ajudando o Haiti
"sem pretensões de dominação" do país.
Amorim parabenizou
os militares brasileiros no Haiti pelo desfecho pacífico da desocupação
da casa do ex-presidente Jean-Bertrand Aristide por ex-soldados haitianos.
"Nossas forças não temerão o embate, mas não
apertarão o gatilho apressadamente", disse Amorim. "Se
não tivermos no terreno pessoas com essa compreensão, qualquer
fagulha pode causar um incêndio." Num café da
manhã de boas-vindas na cozinha do quartel-general das tropas brasileiras
em Porto Príncipe, Amorim, que chegou ontem às 8h40 à
capital haitiana (11h40 em Brasília), disse estar levando uma mensagem
de "Bom Natal" do presidente Luiz Inácio Lula da Silva
aos 1.200 soldados brasileiros no Haiti. "Seu primeiro golpe foi
de mestre", elogiou o chanceler, dirigindo-se ao general João
Carlos Vilela, que assumiu o comando da Brigada Brasileira no Haiti na
quarta-feira. No mesmo dia, 43 ex-soldados
haitianos, armados de fuzis, pistolas e revólveres, tomaram o complexo
residencial onde Aristide morava até deixar o país, no dia
29 de fevereiro, em meio a uma rebelião liderada por Guy Philippe,
um ex-comandante da polícia. As tropas brasileiras, que fazem parte
da Missão das Nações Unidas de Estabilização
do Haiti (Minustah, na sigla em francês) estacionaram blindados
em torno da residência. Começaram então negociações,
com o governo interino do Haiti oferecendo empregos na polícia
e noutros órgãos públicos para os ex-soldados, desempregados
desde a dissolução do Exército por Aristide, em 1994. Os militares brasileiros
deram prazo até o sábado para os ex-soldados se retirarem.
Às 16h, detonaram um explosivo em frente à casa para dar
início à invasão do complexo pelos dois lados, e
entraram. Cem soldados, todos brasileiros, participaram da ação,
com a presença dos generais Vilela e Augusto Heleno Ribeiro, comandante
da Minustah. Os ex-soldados entregaram as armas. Amorim veio acompanhado
de funcionários de outros oito ministérios. Marcelo Behar,
assessor especial do Ministério da Justiça, reuniu-se com
o coronel Antoine Atouriste, do Ministério do Interior haitiano,
para relatar a experiência do Brasil com a campanha do desarmamento.
Segundo Behar, para cada um dos quatro grupos armados - ex-soldados, os
novos e os antigos rebeldes e os criminosos comuns - será traçada
uma estratégia. Há 300 mil armas nas mãos desses
grupos. A estimativa de Behar é a de que, com US$ 10 milhões,
se poderia recolher mais de 200 mil armas. A proposta de Amorim para essa
área é oferecer empregos na coleta de lixo - um grande problema
no país - para quem entregar armas. Lourival SantAnna viajou a convite do Ministério de Relações Exteriores Copyright © O Estado de S. Paulo. Todos os direitos reservados |
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