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'Está tremendo, gente. Todo mundo, saia' |
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LOURIVAL
SANTANNA |
Domingo,
17 de janeiro de 2010
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PORTO PRÍNCIPE O repórter
do Estado sai com o laptop na mão, senta-se no chão
da praça cercada de contêineres, e continua a escrever, provocando
risos nos militares que se aglomeram em frente. "Essa foi de 5 e
alguma coisa", estima o coronel, situando o tremor na Escala Richter.
O das 16h46 de terça-feira, que destruiu grande parte de Porto
Príncipe, atingiu 7 graus na escala. Na véspera,
o repórter e o fotógrafo do Estado transmitiam seu material
pelo telefone satelital no centro de Porto Príncipe, em frente
a uma operação de resgate no prédio destruído
do Ministério do Planejamento, quando o jipe alugado pelo jornal
começou a balançar. A terra treme várias vezes por
dia, no que os técnicos chamam de tremores secundários depois
de um grande terremoto. A cobertura da catástrofe
do Haiti envolve o contato delicado de pessoas que perderam tudo, que
estão com fome e sede, com repórteres com dólares
nos bolsos, equipamentos caros e, mais importante, neste caso, com acesso
a água e comida. Tudo isso, num país em que as já
escassas forças de segurança - a polícia haitiana
e os soldados da ONU - estão sobrecarregadas com as operações
de salvamento. A ordem nas ruas é
praticamente resultado da boa vontade dos haitianos. Levando isso em conta,
a situação é admiravelmente calma. Mas os repórteres
são naturalmente vistos como fonte de dinheiro, e são constantemente
assediados. A abordagem vai de um simples pedido de ajuda ou de esmola
até a extorsão aberta. Fazer nosso trabalho sem ceder a
esses assédios - que distorcem a relação entre jornalistas
e entrevistados - é talvez o maior desafio desta cobertura. Copyright © O Estado de S. Paulo. Todos os direitos reservados |
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