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Buscas
no Hotel Montana persistem |
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LOURIVAL
SANTANNA |
Quarta-feira,
20 de janeiro de 2010
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PORTO PRÍNCIPE Os bombeiros a localizaram
com a ajuda de seu pai, o francês Mériadeg Bouillé,
de 69 anos, que escalava os escombros gritando o nome da filha. Ele também
estava hospedado no hotel, cujos proprietários eram seus amigos,
e onde vieram passar o réveillon. "Eu tinha esperança
de encontrá-la viva", disse ontem Bouillé, que como
a filha mora em Munique. No mesmo domingo,
pela manhã, os bombeiros do Distrito Federal, em conjunto com equipes
da Espanha e da Colômbia, resgataram viva a alemã Nadine
Cardoso-Riedl, de 62 anos, dona do hotel. Os bombeiros ouviram os gritos
de Nadine. O Corpo de Bombeiros do Distrito Federal recebeu a informação
de que havia dois brasileiros hospedados no hotel: um de nome chinês
no terceiro andar, e outra de sobrenome Picolini. Três bombeiros
brasileiros entraram ontem à tarde por um buraco na parede de concreto
do fosso do elevador do Hotel Montana e desceram de rapel até o
antigo lobby, no esforço para encontrar pessoas com vida, sete
dias depois do terremoto que demoliu o edifício de cinco andares.
As esperanças aumentaram depois que um dos bombeiros acreditou
ter ouvido uma resposta quando ele gritou "alô" pelo buraco,
incentivando-os a descer. "Ouvi um 'alô'
vindo bem fraco, mas de muito fundo", disse o sargento Luiz Aquino,
do Corpo de Bombeiros do Distrito Federal. "Repeti o chamado e não
ouvi nada de volta, mas a essa altura sabemos que as pessoas estão
com as últimas forças. Às vezes, gritam e desfalecem."
Os bombeiros desceram então sustentados por uma corda, e encontraram
um corpo esmagado por uma viga. No chão do lobby do hotel, havia
uma frase, escrita em inglês com os dedos, na poeira: "Deus
é Deus. Deus é tão bom para mim." Além
de cinco andares para cima, o luxuoso hotel, instalado no topo de uma
montanha, tinha outros seis pisos para baixo, que permaneceram intactos.
"Se retirarmos o corpo sob a viga, tudo isso desmorona", disse
o tenente-coronel Rogério Alvarenga, comandante dos bombeiros,
em cima dos escombros. Entre os soterrados,
está a mulher do general chileno Ricardo Toro, vice-comandante
das forças militares da ONU no Haiti. O casal morava numa casa
ao lado do hotel, e acredita-se que ela estivesse na academia de ginástica,
no lobby ou no banheiro. Toro assumiu pessoalmente o comando das operações
de resgate, e passa o dia com o filho de 24 anos esperando por sinais
de vida da mulher, María Teresa Dowling, de 45 anos. Ela tinha
vindo em dezembro, para ficar com o marido, que está há
um ano no Haiti, e tem mais um ano de missão pela frente. Copyright © O Estado de S. Paulo. Todos os direitos reservados |
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