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Governo
tenta barrar adoções de crianças haitianas |
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LOURIVAL
SANTANNA |
Sexta-feira,
22 de janeiro de 2010
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PORTO PRÍNCIPE O secretário
de Estado para Ajuda Alimentar e Água, Michel Chancy, informou
ontem que estão suspensos novos processos de adoção
internacional. Apenas aqueles que já estavam em andamento nas embaixadas
em Porto Príncipe seguirão adiante. "Estamos conscientes
da nossa incapacidade, neste momento, de fazer avaliação
correta de cada caso", explicou Chancy. "Há um número
muito grande de crianças cujos pais não sabemos onde estão." "Aproveitando
o momento emocional, muitas pessoas oferecem uma vida melhor, e há
o risco de deixar-se influenciar", continuou o secretário.
"Há ainda o perigo de tráfico de crianças, e
por isso tomamos a medida administrativa de parar as adoções
novas." Chancy disse que estão
sendo distribuídos alimentos e água para 90 mil pessoas
por dia em Porto Príncipe, com o emprego de 80 caminhões,
que fazem duas viagens diárias. O Programa de Alimentos das Nações
Unidas tem estocados mantimentos para 600 mil pessoas por dia, mas o problema
é a logística da distribuição. Já há
330 pontos de entrega em Porto Príncipe. À pergunta
sobre quantas pessoas necessitam de ajuda no Haiti, Chancy respondeu que
até ontem, com os bancos fechados, 3 milhões de habitantes
- um terço da população - precisavam, porque o dinheiro
tinha acabado. Os bancos começaram a ser abertos ontem no interior
do país e a partir de amanhã, em Porto Príncipe.
Com a reabertura das agências bancárias, esse número
deve cair para 500 mil pessoas, que efetivamente não têm
dinheiro para comprar comida. "Hoje (ontem), até eu preciso",
disse Chancy, mostrando o bolso vazio. O secretário
disse esperar que a reabertura dos bancos faça a economia voltar
a mover-se. Ele disse também que o governo financiará os
plantios a partir de fevereiro, como faz todos os anos, e ajudará
também os pecuaristas. O ministro do Interior,
Paul Antoine Bienaimé, anunciou a construção de dez
campos - ele prefere a palavra "cidades" - para 10 mil desabrigados
cada, somando 100 mil pessoas. O Exército brasileiro está
construindo um campo grande para a ONU, com capacidade para outras 100
mil. Grande parte da população de Porto Príncipe
dorme nas ruas, ou porque suas casas ruíram ou por medo de que
um novo tremor, como o que ocorreu na quarta-feira, atingindo 5,9 graus
na Escala Richter, derrube ou acabe de derrubar a sua. De acordo com o ministro
da Saúde, Alex Larsen, cerca de 100 mil pessoas morreram em Porto
Príncipe e outras 50 mil no interior do país. Já
foram recolhidos 70 mil cadáveres. Ele disse que existem 34 hospitais
funcionando no país - 12 do governo e o restante trazido pela comunidade
internacional. Havia 13 hospitais antes do terremoto, e um deles foi destruído. Copyright © O Estado de S. Paulo. Todos os direitos reservados |