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Governando
à sombra de uma mangueira |
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LOURIVAL
SANTANNA |
Sexta-feira,
22 de janeiro de 2010
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PORTO PRÍNCIPE Nesses nove dias desde
que seu pais foi semidestruído pelo que os haitianos chamam de
"a catástrofe", o presidente ainda não saiu de
Porto Príncipe. O governo haitiano não tem helicóptero
e precisará de um emprestado da ONU, quando Préval decidir
visitar as áreas mais inacessíveis, diz seu assessor de
imprensa, Volcy Assad. Todos os dias o presidente sai para ver a situação
em Porto Príncipe. Ele mesmo dirige o seu Toyota Land Cruiser marrom
claro, escoltado por agentes da Unidade de Segurança Presidencial,
um ramo especializado da polícia, num comboio com um carro à
sua frente e três atrás. "Ele gosta de
dirigir", explica um policial. Préval, um agrônomo de
67 anos, eleito em 2006, e que já havia sido presidente entre 1996
e 2001 e primeiro-ministro em 1991, sempre foi conhecido como um político
informal, prático e imprevisível. "Ele é muito
espontâneo. Não se pode planejar com ele", diz um assessor.
Mas depois do terremoto ele tem-se superado. Pouco depois de salvar-se
por uma fração de segundo, ele subiu na garupa de um mototáxi,
para ver como tinha ficado Porto Príncipe. O terremoto ocorreu
quando Préval chegava com sua mulher, Elisabeth Debrosse, com quem
se casou há dois meses, à residência oficial, vindo
do palácio. Quando iam entrar na casa, o chão começou
a tremer. Eles deram dois passos atrás e assistiram à casa
caindo diante deles. Préval e Elisabeth sentaram-se no pátio,
e começaram a chegar os ministros. Todos também tiveram
suas casas destruídas, com exceção do ministro de
Assuntos Sociais, Yves Chrystalin. Elisabeth, que é
assessora econômica do presidente, conta que ele saiu de casa para
vistoriar a cidade sem saber o que tinha acontecido com suas filhas, Patricia
e Dominique. Nenhum telefone funcionava naquele momento - e até
hoje só funciona parte dos celulares, precariamente. Ambas estão
bem. Patricia é cinegrafista e trabalha na assessoria de comunicação
da presidência. Dominique tem uma livraria, assim como sua mãe,
Solange. Préval chega
com Elisabeth ao QG da Polícia Judiciária todos os dias
às 8 horas. Lá o casal almoça e passa o dia, saindo
às 19 horas. Eles estão dormindo cada noite em uma casa
de amigos. Os detalhes não são revelados por razões
de segurança. Em geral quando recebe visitantes, como o senador
americano Jesse Jackson, que foi ontem perguntar como podia ajudar, Préval
usa as salas internas do QG, composto por três casas. Mas às
vezes se senta com seus ministros e auxiliares em torno de uma mesa retangular
de plástico, à sombra de uma mangueira do pátio.
Com réplicas do tremor ocorrendo todos os dias - o maior atingiu
na quarta-feira 5,9 na escala Richter -, os haitianos se sentem muito
mais seguros ao ar livre do que dentro de construções. Além de Jackson,
Préval recebeu no QG da polícia a secretária de Estado
americana, Hillary Clinton, seu marido, o ex-presidente Bill Clinton,
que com o também ex-presidente George W. Bush faz campanha para
angariar ajuda para o Haiti, o presidente dominicano, Leonel Fernandez,
o vice boliviano, Álvaro García Linera, e o ministro da
Defesa brasileiro, Nelson Jobim. O presidente Luiz Inácio Lula
da Silva poderá visitá-lo no mês que vem. Arquitetos estão
avaliando se reconstroem o Palácio Beaux-Arts, construído
no fim do século 19 no centro da cidade, ou se terminam de demoli-lo
e erguem outro. A residência do presidente, no alto de um morro
rodeado por uma favela, não tem recuperação. Copyright © O Estado de S. Paulo. Todos os direitos reservados |
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